Quando o homem começou a levantar os olhos para as estrelas, ele também começou a se perguntar qual força invisível sustentava a ordem do universo.
Antes de existirem templos de pedra, já existiam templos interiores; antes das colunas serem esculpidas, já o espírito humano procurava a verdade.
Nessa busca ancestral nasceu o Hermetismo, uma corrente de sabedoria que atravessou séculos, impérios e civilizações, conservando em símbolos e alegorias os segredos do conhecimento espiritual.
Hermetismo toma seu nome de Hermes Trismegisto, o “Três Vezes Grande”, personagem místico que funde a sabedoria egípcia de Thot com a filosofia grega.
A ele se atribuem os antigos textos conhecidos como Corpus Hermeticum, onde se ensina que o universo inteiro está unido por leis invisíveis e eternas.
Entre as suas máximas mais conhecidas ressoa aquela que ainda ilumina os trabalhos iniciais:
“Como está em cima, é em baixo;
como é em baixo, é em cima. ”
Esta frase não representa apenas um princípio filosófico; representa a própria essência da Maçonaria.
O maçom compreende que o templo exterior nunca poderá ser perfeito se o templo interior não for aperfeiçoado primeiro.
Assim, o Hermetismo ensina que o universo não é um caos, mas uma obra harmônica onde cada pensamento, palavra e ação produzem vibrações que transformam a realidade.
Antigamente, os sábios herméticos eram perseguidos porque possuíam conhecimentos que libertavam o homem da ignorância.
-Enquanto muitos adoravam as aparências, eles procuravam a essência.
-Enquanto as multidões se contentavam em obedecer, eles convidavam a pensar.
Por isso, o Hermetismo nunca foi simplesmente uma doutrina; foi uma forma de despertar.
E é precisamente aí que encontramos sua relação com a Maçonaria moderna.
A Ordem Maçônica, herdeira das antigas escolas inicáticas, conserva dentro de seus símbolos profundas raízes herméticas.
O uso do silêncio, a introspecção, os quatro elementos, a dualidade das colunas, a morte simbólica e o renascimento espiritual são reflexos desse conhecimento ancestral que ensinava que o verdadeiro ouro não era o metal, mas a transformação da alma humana.
O Hermetismo não pretendia transformar chumbo em ouro material; pretendia transformar o homem comum em um ser iluminado pela consciência. Essa é a verdadeira alquimia.
Hoje, em pleno século XXI, o Hermetismo adquire uma importância ainda maior, vivemos numa época onde há demasiada informação e pouca sabedoria.
O homem moderno possui tecnologia capaz de conectar continentes, mas muitas vezes é incapaz de se conectar consigo mesmo.
As redes sociais mostram rostos felizes enquanto o espírito humano vive cansado, confuso e vazio.
Hermetismo nos lembra que o caos exterior é reflexo do caos interior.
Ele nos ensina que quem não domina seus pensamentos, acaba sendo escravo deles.
Convida-nos a compreender que a verdadeira liberdade não consiste em fazer tudo o que se deseja, mas em vencer aquilo que nos domina: orgulho, raiva, ambição desmedida e ego.
Nos nossos dias, muitos homens buscam poder; poucos buscam equilíbrio.
Muitos desejam reconhecimento; poucos desejam verdade.
É por isso que o caminho inicial continua a ser necessário.
O maçom que estuda Hermetismo entende que cada símbolo da oficina possui um ensino vivo.
O compasso não só traça círculos, limita nossas paixões.
O esquadro não mede apenas ângulos, retifica nosso comportamento.
A pedra bruta não representa apenas imperfeição: representa a nossa própria natureza humana esperando ser trabalhada.
Assim, o Hermetismo e a Maçonaria
convergem em um mesmo propósito:
acordar o homem dormindo.
O Hermetismo não pertence apenas ao passado; ele vive em cada irmão que decide se conhecer a si mesmo.
Viva em quem se cala para ouvir sua consciência.
Viva em quem entende que a verdadeira iniciação não termina em uma cerimônia, mas começa na batalha diária contra suas próprias sombras.
Porque o mundo atual precisa de mais homens conscientes e menos homens dominados pela aparência e talvez, após tantos séculos, o segredo hermético continue o mesmo!
Comentários
Postar um comentário