Você já reclamou de um líder que você mesmo elegeu... e no ciclo seguinte repetiu a escolha com outro nome?
Há algo mais perturbador do que a tirania imposta: a tirania pedida.
A que o povo não apenas tolera, mas implora.
Porque o peso da liberdade é mais difícil de carregar do que o conforto de ter alguém pensando por você.
Étienne de La Boétie escreveu em 1549 aquilo que o poder não quer que você leia: o tirano não sustenta sozinho o seu trono.
São as massas que o erguem, camada por camada, ao abdicar de pensar, escolher e responder por si mesmas.
Maquiavel completou a anatomia: basta ao governante parecer virtuoso, porque o povo não busca a verdade... busca conforto emocional.
Aceita a mentira bem contada, o espetáculo ensaiado, desde que não precise arcar com o custo de agir com coragem.
Você já se pegou aplaudindo alguém "esperto" enquanto reclamava de corrupção?
O espelho que La Boétie oferece é incômodo exatamente porque reflete.
O Espiritismo é implacável neste ponto: o livre-arbítrio não é concessão divina... é responsabilidade inegociável.
O Livro dos Espíritos, na questão 843, afirma que cada alma responde por suas escolhas sem exceção.
Nenhum messias, nenhum líder, nenhuma estrutura carrega esse peso no lugar do Espírito encarnado.
Servidão voluntária e abdicação do livre-arbítrio convergem no mesmo ato de recusa ao amadurecimento.
A psicologia social de Stanley Milgram demonstrou nos anos 1960 que pessoas comuns obedecem a figuras de autoridade mesmo contra a própria consciência... não por covardia isolada, mas por um mecanismo coletivo de transferência de responsabilidade.
Ninguém nos ensinou que esperar um salvador é, espiritualmente, uma das formas mais profundas de estagnação moral.
Hoje, nós podemos começar pelo único lugar onde a mudança é possível:
dentro.
Que decisão você tem terceirizado para uma figura, uma ideologia, uma narrativa?
Cidadania começa
onde a dependência termina!
@espalhandoadoutrinaespirita
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