Sejam aprendizes, companheiros ou mestres, todos aqueles que participam na construção — visível e invisível — recebam este reconhecimento que não nasce da forma, mas do fundo.
Porque quem edifica não só levanta muros: sustenta destinos, ordena espaços e, em silêncio, contribui para o equilíbrio do mundo.
Que o G. :A.D.:U. : nos ilumine sempre as nossas mãos, pensamentos e propósitos!
Nossa homenagem a vocês, veneráveis, ilustres e poderosos Irmãos, que com matéria moldaram o casaco humano, e com ideia sustentaram os alicerces da história.
S. :F. :U. : aos pedreiros que constroem a cal e canto, com inteligência, razão, consciência e justiça.
Que o G. :A.D.:U. : nos abençoe-os com saúde, sabedoria, amor e poder.
Paralelamente, o dia do trabalho inscreve-se no culminar simbólico do Plenilunio da Primavera, um tempo em que a luz não só se expande no céu, mas interpela o interior do homem.
É um ponto de equilíbrio no tempo: entre o nascimento e a plenitude, entre a promessa e a realização.
E para entender isso, é preciso parar em uma parábola:
Um velho construtor, próximo do final de sua obra, chamou seu aprendiz e pediu-lhe que levantasse um arco sem usar argamassa.
O jovem, surpreso, tentou colocar as pedras, mas todas caíam.
Tentou amenizar as bordas, forçar as peças, até reduzir o tamanho de algumas para encaixarem.
Nada permanecia.
Desesperado, ele voltou para o mestre.
O velho, sem repreender, pegou numa pedra diferente — nem maior nem mais forte — e colocou-a no centro, no ponto onde todas as outras convergiam.
Ao fazê-lo, o arco segurou.
O aprendiz, confuso, perguntou por que aquela pedra, sendo igual às outras, alcançava o que as outras não.
O mestre respondeu: “Porque não procura impor-se nem ceder; recebe a pressão de todas e a transforma em equilíbrio. Não sustenta por força, mas por compreensão. ”
Este é o tempo que vivemos.
O Plenilunio da Primavera, na sua relação simbólica com a crucificação de Cristo, revela-nos o mesmo ensinamento: a cruz não é apenas dor, é interseção; não é fim, é transformação.
É o ponto onde as forças opostas — vida e morte, luz e sombra, ação e entrega — encontram seu sentido na integração.
A cruz é, essencialmente, aquele arco invisível onde o ser humano deixa de se fragmentar e começa a se sustentar.
Um braço toca a terra, outro sobe para o céu; um afirma o humano, outro reconhece o transcendente.
E nesse cruzamento, o homem se descobre não dividido, mas completo.
Esse é o equilíbrio do guerreiro.
Esse é o equilíbrio do verdadeiro construtor.Por isso, este momento não só convoca a edificação externa, mas a mais exigente de todas: a do templo interior.
Aquele onde cada pensamento é pedra, cada ato é estrutura e cada decisão é orientação.
Que este ciclo nos encontre não apenas celebrando o que foi construído, mas compreendendo o que ainda devemos edificar dentro de nós.
Cohutec Vargas Gênis ✠ 33°
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