Lições de mistérios antigos.

 


A retidão da vida e a nobreza do caráter foram, desde os tempos antigos, virtudes indispensáveis para quem aspira a percorrer o caminho inicático. 

Os sábios da antiguidade ensinaram que ninguém podia se aproximar dos mistérios sagrados sem antes cultivar a pureza dos seus pensamentos e a harmonia das suas ações. 

Nesse sentido, Epicteto recomendou que qualquer oração, sacrifício ou ato de veneração fosse realizado com um coração limpo e um espírito disposto à reflexão e ao aperfeiçoamento moral.

Aquele que procurava ser admitido nos mistérios antigos não era valorizado pela sua riqueza ou posição, mas pela integridade da sua conduta. 

Antes de cruzar o limiar do conhecimento, tinha de demonstrar uma reputação impecável e submeter-se ao escrutínio daqueles que guardavam a tradição. 

A iniciação não era um privilégio, mas uma responsabilidade reservada para aqueles que procuravam viver segundo os mais altos princípios éticos.

Relatos históricos oferecem 
lições valiosas sobre isso. 

Suetonio relata que Nero, depois de ter cometido o crime de assassinar a própria mãe, desejou participar dos mistérios de Eleusis; no entanto, o peso da sua consciência o impediu de se apresentar perante eles. 

Ele compreendeu que nenhum ritual pode silenciar a voz interior quando ela aponta uma falta grave. 

Por outro lado, também refere que Antonio, após a morte de Avídio Cássio, procurou na iniciação uma forma de se reconciliar com a opinião pública e consigo mesmo, lembrando-nos que os actos cerimoniais só têm verdadeiro significado quando acompanhados de uma transformação interior sincera.

De uma perspectiva maçônica, esses ensinamentos nos lembram que nenhum grau, honra ou distinção pode substituir o trabalho constante sobre si mesmo. 

O verdadeiro iniciado não é aquele que acumula títulos, mas aquele que procura que seus pensamentos, palavras e ações estejam em conformidade com os princípios da virtude, justiça e verdade que jurou defender.

Publicação de:
IPH: Júlio César Rodríguez Lopez / 33•
Grande Chanceler do Supremo Conselho da República Mexicana de 1860

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