Explicação Hermética Cabalística
Por Karlo Luebbert
Esta imagem é uma releitura esotérica do Homem de Vitrúvio de Leonardo da Vinci o ser humano como templo vivo, como microcosmos que reflete o macrocosmo.
O corpo não aparece aqui apenas como anatomia, mas como um mapa sagrado onde geometria, astrologia, elementos, sefirot, energia e espírito se unem em uma só doutrina: “como é acima, é abaixo; como é dentro, é fora. ”
O círculo representa o Céu, a totalidade, a eternidade, o macrocosmo, a esfera divina.
O quadrado representa a Terra, a matéria, o mundo manifestado, os limites do corpo físico.
O homem está colocado entre os dois porque o ser humano é o mediador entre o celestial e o terreno.
Na tradição hermética, o homem não é uma criatura separada do cosmos: é uma síntese do universo.
Seu corpo é terra, seu sangue é água, sua respiração é ar, seu fogo interior é espírito e vontade.
É por isso que o Homem de Vitrúvio não é simplesmente um estudo de proporções.
É um ensino inicático disfarçado de ciência. Leonardo mostra que a proporção humana obedece a leis superiores: número, harmonia, simetria, ritmo, correspondência.
Em outras palavras, o corpo humano é construído de acordo com a mesma inteligência que ordena os planetas, os elementos e as esferas celestes.
Nesta imagem, sobre o corpo sobrepõe-se o sistema energético e cabalístico.
Os centros de luz que aparecem na coluna central podem ser lidos como uma união entre os chakras ( glândulas, sistema endócrino) e a Árvore da Vida.
A coluna vertical do corpo é a coluna do espírito descendo à matéria e da matéria ascendendo de volta ao espírito.
Essa linha central é o eixo do iniciado: a estrada do equilíbrio, a estrada de Tiferet, a beleza solar, o coração da árvore.
A cabeça corresponde aos mundos superiores: Kéter, a coroa; Jokmáh, a sabedoria; Bináh, o entendimento.
A cabeça corresponde aos mundos superiores: Kéter, a coroa; Jokmáh, a sabedoria; Bináh, o entendimento.
Aí está a consciência divina, o plano onde a ideia nasce antes de tomar forma.
O coração corresponde a Tiferet, o centro crístico solar, onde o homem é reconhecido como imagem do Logos. Barriga e sexo se conectam com Yesod, lua, fundamento, imaginação, sono, memória astral e energia criadora.
Os pés tocam Malkut, reino, terra, corpo físico, mundo visível.
A imagem também fala dos quatro elementos.
Fogo, água, ar e terra não são apenas forças naturais;
são estados de consciência.
Fogo é vontade, impulso, criação.
Água é emoção, intuição, memória profunda.
Ar é pensamento, palavra, respiração, intelecto.
A terra é corpo, estrutura, limite e manifestação.
O iniciado aprende a equilibrar esses quatro elementos dentro de si mesmo para se tornar um quinto elemento vivo: o espírito consciente.
Da Cabala hermética, este homem é uma figura de Adam Kadmon, o Homem Primordial.
Não é “um homem comum”, mas o arquétipo do ser humano perfeito, o molde divino onde as forças do universo se reúnem.
O corpo humano torna-se a árvore da vida encarnada.
Cada órgão, cada proporção e cada movimento expressa uma lei oculta.
Leonardo aparece aqui como o artista-filósofo que une ciência e mistério.
Seu olhar não separa anatomia da metafísica, nem geometria da espiritualidade.
Ele entende que estudar o corpo humano é estudar o cosmos.
Ao desenhar o homem dentro do círculo e do quadrado, está revelando que o ser humano participa de duas realidades: a matéria e o espírito, o mundo visível e o mundo invisível.
E aí entra Yetzirá, o mundo da formação.
Na Cabala, Yetzirá é o plano onde as ideias superiores começam a tomar forma; é o mundo dos anjos, das imagens, da imaginação criadora, dos símbolos vivos.
É o nível onde o divino ainda não foi feito matéria densa, mas já tem estrutura, figura, vibração e padrão.
A partir desta leitura, Leonardo trabalha como um canal de Yetzirá: recebe formas, proporções, visões geométricas e desce para o papel.
Não inventa apenas;
descarrega formas arquetípicas.
É por isso que o Homem de Vitrúvio é tão poderoso: porque ele não representa apenas um indivíduo, mas o ser humano como ponte entre mundos.
A cabeça toca o céu,
os pés tocam a terra,
os braços estendem-se para as extremidades do cosmos.
O corpo vira cruz, estrela, templo, árvore e mandala.
A imagem diz:
o homem é uma miniatura do universo.
Os seus ossos são colunas.
Seu coração é altar.
Sua mente é paraíso.
Seu sangue é rio.
Sua respiração é vento sagrado.
Sua coluna é o eixo do mundo.
Todo o seu corpo é uma catedral secreta.
Em termos maçônicos e herméticos, o iniciado deve aprender a medir o seu próprio templo.
O esquadro corrige a matéria;
o compasso abre o círculo do espírito.
O quadrado ensina disciplina, limite e construção.
O círculo ensina eternidade, expansão e divindade.
O verdadeiro trabalho inicial consiste em harmonizar ambos viver na terra sem esquecer o céu.
Esta imagem, então, não é apenas arte renascentista.
É uma declaração oculta.
O homem é o livro onde Deus escreveu o universo.
Aquele que aprende a ler o seu próprio corpo, a sua respiração, as suas proporções, os seus centros internos e a sua consciência, aprende também a ler as estrelas, os elementos, as sefirot e os mundos invisíveis.
O Homem de Vitrúvio, lido hermético-cabalisticamente, ensina que o ser humano é o ponto de união entre Malkut e Kéter, entre a terra e a coroa, entre o corpo e o espírito.
Leonardo mostra o homem como microcosmo porque dentro dele estão contidos os mesmos princípios que regem o macrocosmo.
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