O INCENSO

 


O uso do incenso na maçonaria é uma das práticas herdeiras das antigas tradições mistéricas e sacerdotais. 

Embora a sua presença e a complexidade do seu uso variem consideravelmente de acordo com o ritual, sendo extremamente ativo no Rito Escocês Antigo e Aceito e no Rito Moderno ou Francês, enquanto que no Rito de York é geralmente mais discreto ou simbólico, o seu fundo mantém uma linha mística e filosófica uniforme que se integra profundamente na liturgia.

O incenso é estabelecido como um símbolo fixo fundamental. 

Este elemento representa um coração puro que, acendendo-se com o fogo do amor fraternal e a busca da verdade, exala um aroma agradável de devoção e virtude. 

Lembra-nos que, assim como o incenso é completamente consumido para oferecer sua fragrância, o maçom deve estar disposto a gastar sua energia material para o aperfeiçoamento da humanidade e de si mesmo.

A manipulação do incenso durante as cerimônias não é aleatória, mas é atribuída a um oficial específico, geralmente o Irmão Especialista (ou o Segundo Perito, dependendo da estrutura interna da oficina). 

Este oficial carrega o turíbulo ou incensário suspenso por correntes, e seu dever não é apenas acender a resina, mas traçar os movimentos rituais, as incensações em momentos específicos da liturgia, projetando o fumo para os pontos cardeais da Sociedade e para as dignidades que presidem os trabalhos.

O incenso interage diretamente com a dinâmica das tidas em três momentos essenciais, começando pela Abertura dos Trabalhos e a consagração do espaço. 

Antes de declarar a Loja formalmente aberta, o ambiente deve ser purificado; o Especialista percorre o Templo espalhando a fumaça para isolar o lugar do mundo profano, cortando os laços com as preocupações do exterior e para ativar os elementos, conjugando o Fogo da Brasa, a Terra da resina e o ar do fumo para equilibrar as forças subtis do Templo.

Outro momento crucial ocorre durante os processos de iniciação, especificamente na purificação pelo ar, onde o candidato no grau de Aprendiz deve passar pelos testes dos elementos. 

Esta purificação é tradicionalmente feita fazendo o candidato passar por uma densa nuvem de incenso, o que representa a limpeza dos preconceitos intelectuais e dos vícios morais que se arrastam do mundo exterior.

Finalmente, fiel ao princípio hermético da transmutação, o incenso ensina ao iniciado o processo da espiritualização da matéria. 

A resina, no seu estado natural, é dura, opaca e fria, servindo como analogia do estado de ignorância ou da pedra bruta. 

Somente quando submetida 
ao fogo da inteligência 
e do sacrifício interior, 
perde sua rigidez, 
se consome e 
se eleva transfigurada 
em uma força invisível 
mas perceptível por todos: 
o perfume subtil da verdadeira fraternidade.

Federico M. Barranco S.

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