Símbolo de serviço, não de Domínio.
No entanto, a história ensina que nem todo poder enobrece, nem toda autoridade dignifica.
Há um poder que nasce do exemplo, do serviço altruísta, da retidão e da coerência entre a palavra e a ação.
E há outro, muito mais frágil, que depende exclusivamente do cargo, do título ou do símbolo que circunstancialmente se detém.
O primeiro inspira;
o segundo exige ser reconhecido.
O malhete, dentro da tradição maçônica, não simboliza domínio nem privilégio.
Representa ordem, equilíbrio e responsabilidade.
Seu verdadeiro peso não é material, mas moral.
Quem o empunha recebe a delicada missão de conduzir vontades livres, preservar a harmonia da loja e zelar por que a fraternidade prevaleça sobre os interesses pessoais.
Por isso,
o malhete
nunca deve se tornar
um instrumento de vaidade,
pois deixa de construir
quando começa a impor-se.
A experiência humana demonstra que as formas mais subtis de despotismo nem sempre nascem nos grandes cenários do poder político.
Muitas vezes surgem em espaços reduzidos, onde alguns confundem autoridade com superioridade, liderança com protagonismo e serviço com dominação.
Pensadores como La Boétie, Montesquieu ou mesmo Maquiavel compreenderam que toda autoridade perde legitimidade quando abandona a virtude e se sustenta unicamente no medo, na obediência cega ou na complacência.
Na Maçonaria, este desvio é particularmente nocivo, porque a Sociedade não se edifica sobre a coerção, mas sobre a confiança mútua, a livre adesão e o respeito fraternal.
Nenhuma Oficina prospera com decretos,
imposições ou golpes de malhete.
A verdadeira força da Sociedade reside na qualidade moral dos seus membros, na nobreza dos seus propósitos e na capacidade de seus líderes inspirar, ouvir e servir.
Quando uma cobrança é usada para satisfazer ressentimentos, alimentar o ego ou buscar reconhecimento pessoal, o símbolo perde sua essência.
Então, a oficina o corre o risco
de deixar de ser uma escola de aperfeiçoamento
para se tornar palco de rivalidades e vaidades.
Quem usa a autoridade para humilhar, dividir ou silenciar não fortalece as colunas do Templo: enfraquece-as.
A verdadeira liderança maçônica não se mede
pela firmeza com que se bate o malhete,
mas pela prudência com que se decide quando fazê-lo.
Não se manifesta na capacidade de impor silêncio, mas na capacidade de merecer respeito.
Não consiste em ser obedecido, mas em ser digno de ser seguido.
Porque o símbolo nunca engrandece o homem;
é o homem que engrandece o símbolo.
E quando a grandeza interior é insuficiente,
o cargo não a substitui:
simplesmente torna mais evidente a sua ausência.
O verdadeiro Mestre não precisa exibir sua autoridade;
seu exemplo fala por ele!
Comentários
Postar um comentário