Desde os primeiros assentamentos humanos, quando o homem parou de vagar para criar raízes com a agricultura, nasceu também a necessidade de um lugar onde céu e terra se tocassem.
Em todas as culturas, o templo é a projeção visível do invisível: um reflexo aqui embaixo do que existe lá em cima.
A montanha sempre foi esse lugar privilegiado — o eixo do mundo —, como o recorda o profeta Ezequiel: “No topo da montanha, todo o espaço que a rodeia é um espaço sagrado” (Ezequiel 43:12).
Vemo-lo no Monte Sinai, onde Moisés recebeu a Lei;
no Ararat, onde repousou a Arca;
no Gólgota;
mas também no Olimpo Grego, no Meru Hindu ou nas cinco montanhas sagradas da China.
Quando a natureza não oferece essa altura, o homem constrói-a: nascem assim as pirâmides, os zigurates, templos como Borobudur — cujo nome significa, em sânscrito, “templo budista na montanha” — verdadeiras subidas de pedra para o Alto.
Há uma diferença essencial que não esqueçamos: as pirâmides egípcias foram túmulos reais; os zigurates mesopotâmicos, santuários vivos. Uns olham para o passado, para a memória do faraó; outros apontam o caminho para o céu, a possível ascensão do ser humano.
Na Maçonaria, lemos nestas formas antigas um ensino eterno: a construção sagrada avança por níveis, graus ímpares — 3, 5, 7 — que marcam a nossa progressão inicática.
O modelo que nos une, o Templo de Salomão, ergue-se sobre o Monte Moriá, seguindo o plano ditado pelo Grande Arquiteto do Universo, conforme ordenado a Moisés no deserto: “Convocou toda a assembleia e deu ao povo as ordenanças do Senhor... todas as obras para a tenda de reunião, para seu serviço e para as vestes sagradas” (Êxodo 35:1 ‐19).
Sem saber de alvenaria, os hebreus contaram com a sabedoria de Hiram de Tiro e com o génio de Hiram Abif, Mestre de Obras.
Aqui aprendemos que a verdadeira obra nasce do encontro entre a nossa vontade e a sabedoria que vem de fora, mas que deve ser feita própria.
As Constituições de Anderson nos lembram que, ao terminar aquela obra maravilhosa, os construtores viajaram pelo mundo levando consigo esta arte liberal e real.
Assim, a Maçonaria se espalhou,
não como um dogma,
mas como uma forma de ver e construir.
Platão escreveu sobre ela; em nossos templos, a letra G lembra que tudo o que existe responde a proporções e leis harmônicas.
Diferentemente de ensinamentos que dizem “magister dixit” — o mestre disse e basta —, a geometria maçônica convida a demonstrar, a pensar, a verificar por si mesmo.
É
essencialmente
a ciência da liberdade mental.
Nossa Loja, orientada do Oriente para o Ocidente, com solo xadreçado e cofre estrelado, reproduz o universo inteiro.
A regra que rege o nosso encontro — “três dirigem-na, cinco iluminam-na e sete tornam-na justa e perfeita” — não é acaso:
os três oficiais formam um triângulo, símbolo do espírito;
os cinco somam ciência e lei;
os sete reúnem matéria e espírito, esquadra e compasso, tudo o que somos.
Mas vamos chegar ao mais profundo:
do templo de pedra para o templo da alma.
O edifício material é necessário, sim: separa nosso trabalho do ruído profano, oferece símbolos que guiam o olhar.
No entanto, seu objetivo último é nos ensinar que o verdadeiro santuário não tem tijolos nem colunas exteriores: somos nós mesmos.
Como iniciados, entendemos que a viagem para o centro do templo, para a Ara Sagrada, corresponde à viagem para o centro do nosso próprio ser.
Aqui reside a grande lição maçônica: se o templo exterior serve para nos reunir, o interior é o que devemos levantar dia após dia, esculpindo a pedra bruta das nossas falhas e limitações.
Não há moral para a Sociedade e outra para a rua: o trabalho iniciático deve ser um só.
Conhecer-se a si mesmo
— o mandato de Sócrates —
é a base de toda a construção duradoura.
E isso não se faz sozinho: aprendemos com os irmãos, polimos nossas ferramentas com críticas fraterna e contribuímos nosso pequeno grão para a grande obra da humanidade.
Diferente de sistemas que buscam impor verdades fechadas, a Maçonaria propõe uma alquimia interior: transformar o conhecimento recebido em sabedoria vivida.
Nosso objetivo final não é adorar um lugar, mas tornar-se dignos de habitá-lo, levando a luz do Oriente a cada canto da nossa existência.
O templo maçônico que ninguém vê com os olhos físicos!
Um viajante das estrelas chegou a uma aldeia do planeta terra e perguntou a um sábio:
— Onde fica o templo maçônico mais sagrado desta terra?
— Onde fica o templo maçônico mais sagrado desta terra?
O velho maçom guiou-o por trilhas sem sinal, longe das grandes cidades e das montanhas sagradas famosas, até parar em frente a uma cabana humilde.
— Aqui está o maior templo maçônico do planeta terra? — disse o viajante desapontado. Não vejo grandes colunas nem Aras Sagradas Maçônicas de ouro.
O sábio maçom sorriu e respondeu:
—O verdadeiro templo maçônico não se mede pelo que se vê por fora. Este Maçom que mora aqui constrói sua morada interior todos os dias com paciência, perdão e amor. Quando o templo maçônico interior está bem alicerçado, toda a terra se torna o seu pátio de passos perdidos.
—O verdadeiro templo maçônico não se mede pelo que se vê por fora. Este Maçom que mora aqui constrói sua morada interior todos os dias com paciência, perdão e amor. Quando o templo maçônico interior está bem alicerçado, toda a terra se torna o seu pátio de passos perdidos.
O viajante das estrelas compreendeu então que ninguém pode entrar no templo maçônico mais luminoso do mundo se antes não soube construir o seu próprio.
Concluindo:
A pedra do templo físico nos ensina a trabalhar a pedra da alma. Sem o exterior, faltam sinais; mas sem o interior, tudo é apenas fachada vazia.
Que sempre saibamos levar o Oriente da Sociedade para o Oriente do nosso coração.
Alcoseri
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