A maioria dos homens vê a grandeza como um topo.
Eles pensam que a sabedoria é uma conquista, um território para o qual se sobe depois de uma longa marcha e de cuja altura se pode finalmente descansar.
No entanto, as tradições mais profundas da humanidade compreenderam algo diferente: a verdadeira grandeza não consiste em chegar, mas em continuar a subir.
Katsushika Hokusai compreendeu isso quando afirmou que só na idade começava a vislumbrar a essência das formas.
Os sábios de todas as épocas repetiram o mesmo ensino com diferentes línguas: perfeição não é um estado; é uma direção.
Talvez um dos símbolos mais belos dessa verdade seja o incenso.
Enquanto permanece intacto, parece manter toda a sua força.
No entanto, é só quando começa a consumir que revela a sua verdadeira natureza.
Combustão lenta desprendendo camada após camada de sua matéria, e aquilo que aparenta ser destruição torna-se fragrância.
O que desaparece em forma perpetua-se em essência.
O que é consumido em matéria expande-se na presença.
É o que acontece com o espírito humano.
Os anos, as derrotas, as renúncias, as perdas e os aprendizados vão lentamente incinerando as porções mais grosseiras do ego.
Cada experiência arranca uma camada de ignorância e liberta uma nova compreensão.
O homem que persevera acaba entendendo que maturidade não consiste em acumular certezas, mas em purificar a alma até transformá-la em perfume para os outros.
Na arquitetura filosófica do Rito Escocês Antigo e Aceito encontramos um ensinamento semelhante.
O trânsito por graus não representa uma acumulação de títulos nem uma coleção de reconhecimentos.
Cada grau é uma pedra colocada em uma construção interior que nunca conclui.
A verdadeira iniciação não ocorre quando se recebe um grau, mas quando se compreende a lição que este encerra.
Por isso, o grau 33 não constitui uma chegada.
É uma libertação.
Até então o homem subiu procurando entender.
Depois dele continua ascendendo porque compreendeu que a própria Ascensão é o caminho.
O movimento se transforma em inércia espiritual.
Já não se persegue um número, uma dignidade ou um reconhecimento; persegue-se a perfeição impossível que dá sentido ao esforço humano.
O incenso continua a ser consumido até ao seu desaparecimento.
O sábio continua aprendendo até seu último suspiro. O construtor continua aperfeiçoando a pedra mesmo sabendo que nunca alcançará a perfeição absoluta.
E talvez aí resida o segredo mais profundo da persistência: compreender que os princípios eternos não foram colocados diante de nós para serem conquistados, mas para nos orientar permanentemente para eles.
Porque a sabedoria não pertence ao homem que chega.
Pertence ao homem que nunca para de andar.
Comentários
Postar um comentário