Então, fique para ler essa história.
(Semper Ascendens: Sempre ascendendo).
Este texto histórico, está escrito no lugar mais escuro: na cela de um preso político.
Foi no ano de 1941, no infame Penal de Burgos, durante a dura repressão que sofreu a maçonaria pela ditadura esquerdista de Francisco Franco.
Seu autor foi um mestre maçom e presidente da Federação Espiritista Espanhola, seu nome é Eduardo Anaya Mena, cujo nome simbólico era 'Asmara'.
A oração sobreviveu ao horror e foi preservada e publicada em 1983 pelo seu companheiro de cativeiro, Eduardo Alfonso, no livro A Maçonaria Espanhola em Presídio.
É, portanto, o testemunho vivo de um homem que, preso e condenado, encontrou na filosofia e na espiritualidade uma arma para resistir ao totalitarismo da esquerda.
Sua oração não é um ato de fé em um Deus distante, mas um compromisso ético com o próprio progresso, e um grito de liberdade interior.
Para Anaya, erros não eram falhas, mas ignorância que devíamos superar com o esforço e o mérito próprio.
Ele até pede 'caia em tentação' para aprender a superá-la sozinho e assim ganhar merecimento, uma ideia muito distante do perdão sem condições.
Sem mais nem menos, deixo-os desfrutar da invocação do Pai Nosso Maçônico.
Pai Nosso...
Você que está acima de todas e em todas as coisas.
Antes das suas causas e depois dos seus efeitos, em um Infinito que abrange tudo!
Uma e outra.
Pai Nosso que estais imanente no Todo.
Para cima e para baixo, muito alto no zênite, muito baixo na hondura, debaixo do nosso solo,
embora o homem te adore na altura, quando ignora que nela navega "seu mundo"; que estamos flutuando no céu.
Antes das suas causas e depois dos seus efeitos, em um Infinito que abrange tudo!
Uma e outra.
Pai Nosso que estais imanente no Todo.
Para cima e para baixo, muito alto no zênite, muito baixo na hondura, debaixo do nosso solo,
embora o homem te adore na altura, quando ignora que nela navega "seu mundo"; que estamos flutuando no céu.
Santificado seja o Vosso nome.
Cada qual santifica o Teu nome segundo o seu poder de conhecimento:
Seja vindo a nós o Vosso Reino:
por estar nele "somos"; nele "existimos", sob todas as formas de vida que você reserva, em cadeia infinita de experiências, anseios, heranças e mudanças de estado; juiz onipotente das causas primeiras e causas finais, contingências de livre arbítrio em circuitos de leis fatais!
Cada qual santifica o Teu nome segundo o seu poder de conhecimento:
dependendo do que a inteligência ou o sentimento chega,
Poderes abençoados que nos aproximam do Mistério por trás do qual você se esconde enquanto progredimos na rota infinita do tempo!
Venha a nós o Vosso Reino.Seja vindo a nós o Vosso Reino:
por estar nele "somos"; nele "existimos", sob todas as formas de vida que você reserva, em cadeia infinita de experiências, anseios, heranças e mudanças de estado; juiz onipotente das causas primeiras e causas finais, contingências de livre arbítrio em circuitos de leis fatais!
Fluir aparente de luzes e sombras, de bens e males, sempre relativos e convencionais, mas que nos ligam ao transcendente!
Assim eu concebo o Teu Reino com mil horizontes, roxas e planos; reinando por todas as Tuas leis, criando todas as Tuas mãos; sendo Tu o venero do Bem, do Belo e do Justo, que é o Verdadeiro.
Assim eu concebo o Teu Reino com mil horizontes, roxas e planos; reinando por todas as Tuas leis, criando todas as Tuas mãos; sendo Tu o venero do Bem, do Belo e do Justo, que é o Verdadeiro.
E assim se acorrentando tomando sentido moral e fecundo a vida terrena:
"Estar no mundo de três dimensões" onde nos traz problemas sombrios, e grandes misérias e baixas paixões, para "ser" além desse mundo; no outro reino que vem ou que espera, no qual a vida segue mansamente sua eterna carreira.
"Estar no mundo de três dimensões" onde nos traz problemas sombrios, e grandes misérias e baixas paixões, para "ser" além desse mundo; no outro reino que vem ou que espera, no qual a vida segue mansamente sua eterna carreira.
Seja feita a Vossa vontade, assim na Terra como no Céu.
Feita está a Tua vontade, assim na Terra como no Céu: por todo o lado a vemos, quando iluminam procurando o arcano as luzes inquietas da compreensão.
Feita está a Tua vontade, assim na Terra como no Céu: por todo o lado a vemos, quando iluminam procurando o arcano as luzes inquietas da compreensão.
O pão nosso de cada dia nos dai hoje.
O pão nosso nos deste para sempre, Providente e Bem, antes de nascer no homo sapiens e na besta humilde, o imperativo de fazê-lo comer.
O pão nosso nos deste para sempre, Providente e Bem, antes de nascer no homo sapiens e na besta humilde, o imperativo de fazê-lo comer.
Mas, embora o deste com pródiga mão, determinaste, para que fosse "nosso", que cada um ganhe, com trabalho próprio, pão para a alma e pão que nutra o corpo.
Perdoe as nossas dívidas, assim como nós perdoamos a quem tem ofendido.
Eu sei que aos teus olhos estão perdoadas as minhas dívidas; que todas as minhas culpas não são mais do que formas de erro: ignorâncias que irei anulando, amando e sofrendo, enquanto subo a escada gloriosa do "semper ascendentes"; a bendita rota de luz e progresso onde sacrificas todos os seres que povoam os mundos que vão pelos céus.
Eu sei que aos teus olhos estão perdoadas as minhas dívidas; que todas as minhas culpas não são mais do que formas de erro: ignorâncias que irei anulando, amando e sofrendo, enquanto subo a escada gloriosa do "semper ascendentes"; a bendita rota de luz e progresso onde sacrificas todos os seres que povoam os mundos que vão pelos céus.
E nesse caminho, onde se projeta todo o meu futuro, e está o meu passado e vive o eterno, quanto mais alcanço, mais te entendo, tanto mais perdoo as dívidas dos outros, tanto mais peço desculpas pelo erro alheio.
No nos dejes caer en tentación.
Deixe-me cair em tentação de pecados, que eu possa medir meu discernimento; que ao livrar-me deles, por minha própria razão e esforço, possa demonstrar perante mim e acima de tudo outro ser, que, ao orar, soube sentir, meditar e querer; que dentro de mim há uma entidade que "sabe crer".
Deixe-me cair em tentação de pecados, que eu possa medir meu discernimento; que ao livrar-me deles, por minha própria razão e esforço, possa demonstrar perante mim e acima de tudo outro ser, que, ao orar, soube sentir, meditar e querer; que dentro de mim há uma entidade que "sabe crer".
E livrai-nos do mal
Faça com que meus irmãos mais velhos me livrem do mal quando eu não puder me valer e me vencer.
Faça com que meus irmãos mais velhos me livrem do mal quando eu não puder me valer e me vencer.
Seres de outro plano, entidades de outro céu, que, agindo em Teu nome, possam influenciar as coisas do solo.
Senhor! que me ajudem!
Eu, por minha vez, prometo solidário, auxiliar aqueles que precisam, desde que eu possa emprestar meu braço ou minha mente, ajuda ou conselho.
Amém.
Eu, por minha vez, prometo solidário, auxiliar aqueles que precisam, desde que eu possa emprestar meu braço ou minha mente, ajuda ou conselho.
Amém.
Que assim seja!
Que se cumpra a Tua lei, Sempiterno instrumento do bem; aquela que dá a cada um o seu, segundo as suas obras e segundo o seu grau, por séculos de séculos, Amém!.
Composto pelo Querido Irmão Eduardo Anaya Mena, Mestre Maçon Penal de Burgos, 1941 (Arquivo Histórico da Maçonaria)
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