A linguagem secreta do simbolismo maçônico (Orlando Galindo

 

Irmãos maçons e não maçons, há uma linguagem que não precisa de palavras, que não se escreve em livros nem se ensina em escolas comuns: é a linguagem simbólica maçônica. 

É a linguagem que o Grande Arquiteto do Universo escreveu na pedra, no céu e no mais profundo do nosso ser, e que só desperta quando a nossa consciência deixa de estar dormindo. 

Não é um código fechado, nem uma verdade imposta: é uma chave que cada um usa para abrir sua própria porta para a Luz.

O que o símbolo maçônico diz além das palavras.

Nossa Ordem nunca impõe um significado único: pelo contrário, nos convida a que o símbolo ressoe em nós, viagem até nosso subconsciente e desperte o que já carregamos dentro de nós. 

Tomemos o exemplo mais sagrado: 
Esquadro e Compasso. 

Qualquer olho pode ver neles a retidão e a perfeição, a ordem terrena e o céu infinito. 

Mas quem já percorreu o caminho inicial sabe que há mais: é o encontro entre o que somos e o que podemos nos tornar. 

Essas mesmas ferramentas que quando chegamos à escola nos ensinam a traçar linhas retas, guardam na memória coletiva a memória de que também nós devemos traçar o rumo da nossa vida com firmeza e justiça.

Engraçado: você pode passar anos entre as colunas do Templo Maçônico sem perceber nada, se seu interior ainda estiver fechado. 

Ou você pode estar como um profano lendo estas linhas fora de toda a loja, e de repente sentir algo em você se mover, como se um eco antigo te chamasse. 

Porque o símbolo não depende de onde você está, mas de como você está: está vivo, e fala somente com quem está disposto a ouvi-lo.

Lembro-me que nos anos 90, quando íamos ao cinema com outros irmãos maçons, costumávamos ver nas telas de cinema gestos maçônicos, códigos, formas e sequências que a nós maçons nos falavam claramente, enquanto aqueles que como profanos ou familiares nos acompanhavam para ver o filme só assistiam a uma história de entretenimento. 

Nós nos perguntamos: para quem são dirigidas estas mensagens maçônicas tão subtis? 

Acordam uma memória esquecida em quem ainda não sabe nomeá-la? 

Porque a linguagem simbólica da Maçonaria atravessa fronteiras, épocas e condição: não tem dono, só tem destinatários que ainda não sabem que são.

Nossos símbolos não nasceram do nada: 
são herança de toda a humanidade. 

O Olho no Triângulo o vemos na fé católica refletindo o olhar divino; 
a Cruz unida à Rosa, no grau Rosacruz, recolhe o sacrifício e a ressurreição; 
a Estrela de Davi, a Lua e a Estrela aparecem em nosso Templo como reconhecimento de que a Verdade manifesta-se em muitos rostos. 

Não levamos nada para nós: simplesmente reconhecemos que todas as tradições apontaram para a mesma Luz.

Até os gestos maçônicos mais simples são linguagem sagrada. 

Abraço fraterno não é apenas afeto: é o reconhecimento de que compartilhamos a mesma essência. 

O aperto de mão, que selou alianças desde tempos pré-romanos, guarda em nossa Ordem um selo secreto que nos permite reconhecer além das palavras. 

E esses gestos que parecem violentos — cortar a língua, cortar a garganta, arrancar o coração — não são agressão: são a alegoria mais profunda da iniciação. 

Como diz o Livro da Lei: “Se o seu olho direito é para você ocasião de pecado, tire-o e jogue-o longe de você” (Mateus 5:29). 

Eles nos ensinam a separar o verdadeiro do falso em nós mesmos: a não deixar que o medo fale pela nossa boca, nem que o egoísmo guie o nosso coração. É morrer ao que nos limita, nascer ao que nos liberta.

Por que o espírito do símbolo maçônico nunca se esgota
Nenhum livro, nenhuma explicação, poderá dizer tudo o que um símbolo significa. 

Porque o símbolo é um espelho: 
mostre o que você é capaz de ver. 

Quem olhou para ele há trezentos anos viu nele a sua verdade; 
você vê a sua hoje; 
e quem a ler daqui a cinquenta anos verá a sua. 

Essa é a sua força: não muda o símbolo, muda a consciência que o contempla.

É por isso que, embora hoje vejamos o Esquadro e o Compasso em praças, aeroportos e edifícios de todo o mundo, o seu sentido mais profundo só se revela a quem trabalhou na sua própria pedra bruta. 

Porque não basta ver a forma: 
tem que ser vivida.

Conclusão

A linguagem simbólica não é um recurso para ocultar a verdade, mas para protegê-la de quem não está pronto para recebê-la. 

Ensina que a realidade não termina naquilo que vemos a olho nu: que tudo o que existe é reflexo de algo mais alto, e que nossa passagem por essa vida é a arte de aprender a ler esses reflexos.

No final, quando usamos esta linguagem, não fazemos outra coisa senão continuar o trabalho dos construtores de sempre: traçamos linhas que unem o céu à terra, o passado ao futuro e cada um de nós com a centelha divina que carregamos dentro de nós. 

E mesmo que minha (e a nossa!) voz pare de tocar neste mundo, esses sinais continuarão falando, enquanto houver um coração disposto a ouvi-los!

Alcoseri

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