A Maçonaria, Entre a Obra Material e a Luz Espiritual (Orlando Galindo)

 

Nossa Ordem Maçônica é um caminho que nunca nos obriga a escolher entre o céu e a terra: 
sabemos que ambas as realidades 
são duas faces de uma mesma verdade, 
e que nenhuma vale mais do que a outra. 

É por isso que nos dedicamos a pesquisar sem limites: observamos o que é tocado e medido, 
mas também espreitamos 
o que só a alma percebe, 
sem esquecer que 
o saber mais importante 
é o que descobrimos a nós mesmos.

Diferentemente de outras instituições que colocam cercas ao pensamento — algumas por temor do que não compreendem, outras por se agarrar a dogmas fechados — a Maçonaria convida-nos a perguntar sempre. 

É verdade que houve épocas em que algumas Logias colocaram entraves a certos temas, mas hoje muitos Maçons recuperam a nossa liberdade: 
nada humano, 
nada divino, 
nos é estranho.

Vivemos em tempos em que só se dá, aliás, o que o método científico pode demonstrar, mas sabemos que esta única via não tem todas as respostas. 

Existe uma realidade mais subtil que molda o que vemos, mesmo que não possamos pesá-lo ou medi-lo com regras. 

E é aí que o nosso ensino inicial nos entrega outra forma de pesquisar: 
aquela que nasce da intuição limpa, 
essa bússola interior 
que nos liga à mente do 
Grande Arquiteto do Universo.

Duas maneiras de procurar a verdade

O conhecimento científico avança passo a passo, testa e descarta, constrói conclusões que mudam ao longo dos anos. 

É valioso, mas se ignorar a dimensão espiritual ou quântica, normalmente fica apenas nas consequências e não chega à raiz. 

Há exemplos históricos — como certos grupos que usaram caminhos psíquicos em vez de procedimentos clássicos — que nos lembram que existem outros caminhos, embora tenhamos de andar sempre com muita prudência e retidão.

A busca do espiritual funciona de outra forma: quando nossa consciência está bem preparada, basta a pergunta sincera para receber a resposta que une o físico, o anímico e o divino. 

Mas não nos iludamos: 
não é coisa fácil nem ao alcance de qualquer um. 

É preciso ter trabalhado muito em si mesmo, para que o ego não distorça o que vem e para não confundir vozes passageiras com a verdadeira Luz.

Imaginemos uma escala de evolução interior de 100%:
- Até menos de 70%, o que normalmente nos chega traz misturas, erros ou influências que não são luminosas; no início parecem verdadeiras, depois nos desviam ou nos enfraquecem.
- Ao passar esse limiar, o conhecimento vem de seres retos, irmãos ascendidos e forças puras, desde a própria inteligência do Grande Arquiteto.
- E além dos 90%, alcança-se uma visão tão ampla que raramente conseguimos compreendê-la totalmente ainda.

Quem não distingue esses níveis corre o risco de se tornar um fantoche do que pensa saber. 

É por isso que nas nossas Logias nos ensinam a discernir antes de acreditar: o sexto sentido não se desenvolve lendo sozinho, mas polindo a própria pedra bruta.

Tentar explorar o espiritual apenas com ferramentas materiais é como querer pesar o amor em uma balança. 

Por exemplo: a ciência pode ver um coração saudável nos exames e chamar de “problema nervoso” a sua dor, enquanto o olhar mais profundo reconhece que há uma energia bloqueada que vem de muito mais dentro.

O método maçônico integra ambos os mundos:
- Economizamos tempo e recursos, pois muitas verdades são recebidas diretamente da Fonte, sem rodeios.
- Evitamos investigações prejudiciais ou vazias, porque partimos do Bem Supremo.
— E o mais nobre: ao receber a verdade, não nos enchemos de orgulho — agradecemos e nos tornamos mais humildes, pois sabemos que não é nosso mérito, mas um dom do Grande Arquiteto do Universo.

Tudo isto se baseia na nossa linguagem simbólica: 
o Esquadro nos lembra da retidão nas obras terrenas, o compas a perfeição para o alto, a Pedra Bruta e a Polida nos dizem que essa dupla busca é justamente o nosso próprio aperfeiçoamento. 

Assim nossos ensinamentos atravessam fronteiras e tempos, falam como aquele que constrói casas e aquele que constrói seu espírito.

Nossa Ordem não separa o mundo daqui do de lá: queremos que o pensamento se eleve e que a obra se torne justa. 

Procuramos sem medo, mas sempre com luz interior para não tropeçar; recebemos sem orgulho, para que a verdade nos transforme e não apenas encha a cabeça.

Porque o objetivo do maçom não é saber muito, mas saber com retidão: 
unir o que vemos com o que sentimos, 
o que fazemos com o que sentimos, 
até que a nossa própria vida 
se torne um símbolo vivo 
da Harmonia que sustenta todo o Universo.

Alcoseri

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