Nossa Ordem Maçônica é um caminho que nunca nos obriga a escolher entre o céu e a terra:
sabemos que ambas as realidades
são duas faces de uma mesma verdade,
e que nenhuma vale mais do que a outra.
É por isso que nos dedicamos a pesquisar sem limites: observamos o que é tocado e medido,
mas também espreitamos
o que só a alma percebe,
sem esquecer que
o saber mais importante
é o que descobrimos a nós mesmos.
Diferentemente de outras instituições que colocam cercas ao pensamento — algumas por temor do que não compreendem, outras por se agarrar a dogmas fechados — a Maçonaria convida-nos a perguntar sempre.
É verdade que houve épocas em que algumas Logias colocaram entraves a certos temas, mas hoje muitos Maçons recuperam a nossa liberdade:
nada humano,
nada divino,
nos é estranho.
Vivemos em tempos em que só se dá, aliás, o que o método científico pode demonstrar, mas sabemos que esta única via não tem todas as respostas.
Existe uma realidade mais subtil que molda o que vemos, mesmo que não possamos pesá-lo ou medi-lo com regras.
E é aí que o nosso ensino inicial nos entrega outra forma de pesquisar:
aquela que nasce da intuição limpa,
essa bússola interior
que nos liga à mente do
Grande Arquiteto do Universo.
Duas maneiras de procurar a verdade
O conhecimento científico avança passo a passo, testa e descarta, constrói conclusões que mudam ao longo dos anos.
É valioso, mas se ignorar a dimensão espiritual ou quântica, normalmente fica apenas nas consequências e não chega à raiz.
Há exemplos históricos — como certos grupos que usaram caminhos psíquicos em vez de procedimentos clássicos — que nos lembram que existem outros caminhos, embora tenhamos de andar sempre com muita prudência e retidão.
A busca do espiritual funciona de outra forma: quando nossa consciência está bem preparada, basta a pergunta sincera para receber a resposta que une o físico, o anímico e o divino.
Mas não nos iludamos:
não é coisa fácil nem ao alcance de qualquer um.
É preciso ter trabalhado muito em si mesmo, para que o ego não distorça o que vem e para não confundir vozes passageiras com a verdadeira Luz.
Imaginemos uma escala de evolução interior de 100%:
- Até menos de 70%, o que normalmente nos chega traz misturas, erros ou influências que não são luminosas; no início parecem verdadeiras, depois nos desviam ou nos enfraquecem.
- Ao passar esse limiar, o conhecimento vem de seres retos, irmãos ascendidos e forças puras, desde a própria inteligência do Grande Arquiteto.- E além dos 90%, alcança-se uma visão tão ampla que raramente conseguimos compreendê-la totalmente ainda.
Quem não distingue esses níveis corre o risco de se tornar um fantoche do que pensa saber.
É por isso que nas nossas Logias nos ensinam a discernir antes de acreditar: o sexto sentido não se desenvolve lendo sozinho, mas polindo a própria pedra bruta.
Tentar explorar o espiritual apenas com ferramentas materiais é como querer pesar o amor em uma balança.
Por exemplo: a ciência pode ver um coração saudável nos exames e chamar de “problema nervoso” a sua dor, enquanto o olhar mais profundo reconhece que há uma energia bloqueada que vem de muito mais dentro.
O método maçônico integra ambos os mundos:
- Economizamos tempo e recursos, pois muitas verdades são recebidas diretamente da Fonte, sem rodeios.- Evitamos investigações prejudiciais ou vazias, porque partimos do Bem Supremo.
— E o mais nobre: ao receber a verdade, não nos enchemos de orgulho — agradecemos e nos tornamos mais humildes, pois sabemos que não é nosso mérito, mas um dom do Grande Arquiteto do Universo.
Tudo isto se baseia na nossa linguagem simbólica:
o Esquadro nos lembra da retidão nas obras terrenas, o compas a perfeição para o alto, a Pedra Bruta e a Polida nos dizem que essa dupla busca é justamente o nosso próprio aperfeiçoamento.
Assim nossos ensinamentos atravessam fronteiras e tempos, falam como aquele que constrói casas e aquele que constrói seu espírito.
Nossa Ordem não separa o mundo daqui do de lá: queremos que o pensamento se eleve e que a obra se torne justa.
Procuramos sem medo, mas sempre com luz interior para não tropeçar; recebemos sem orgulho, para que a verdade nos transforme e não apenas encha a cabeça.
Porque o objetivo do maçom não é saber muito, mas saber com retidão:
unir o que vemos com o que sentimos,
o que fazemos com o que sentimos,
até que a nossa própria vida
se torne um símbolo vivo
da Harmonia que sustenta todo o Universo.
Alcoseri
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