Maçonaria: uma luz forjada na forja do pensamento !

 


"Só as figuras carregadas do passado são ricas de futuro."
Afonso Reyes

Todo homem que aspira a um verdadeiro processo inicático deve compreender, a partir do próprio limiar do templo, que a chave do espírito humano permanece velada para as inteligências conformistas, as vontades indolentes e as consciências que abdicam do esforço de pensar. 

Nenhum santuário interior abre suas portas por acaso. 

Toda iniciação constitui uma conquista, e toda conquista exige primeiro a vitória sobre si mesmo.

Entrar no templo do espírito reclama uma proeza. 

Não aquela que persegue os aplausos do mundo, mas aquela que é escrita silenciosamente com disciplina, rigor, estudo e perseverança. 

Dia após dia, 
hora após hora, 
a existência lembra o homem que viver 
significa enfrentar resistência. 

Os antigos condensaram essa verdade numa sentença cuja vigência permanece inalterável: 
vita est militia. 
A vida é combate.

Mas o combate a que se refere a tradição inicática não confronta o homem contra os seus semelhantes. 

Enfrenta-o contra a ignorância que limita a sua inteligência, contra o orgulho que obscurece o seu julgamento, contra o medo que paralisa a sua vontade e contra o conforto que lentamente extingue a grandeza do espírito. 

Essa é a única guerra cujo triunfo liberta verdadeiramente o ser humano.

Irmão Aprendiz, 
Irmão Companheiro e 
Irmão Mestre: 

Nunca confunda iniciação com conforto espiritual. 

A Luz não desce sobre quem fica imóvel esperando que o universo transforme aquilo que só o trabalho interior pode conquistar. 

Nenhuma revelação substitui a disciplina; 
nenhum símbolo substitui o estudo; 
nenhum ritual isenta do dever diário de se aperfeiçoar.

Heráclito compreendeu que o conflito é o pai de todas as coisas. 

A Maçonaria acrescenta que esse conflito atinge sua expressão mais elevada quando acontece dentro do homem. 

Lá, onde a razão combate o instinto, onde o dever desafia o desejo e onde a consciência disputa cada decisão ao ego, começa a verdadeira Obra.

Nosso espírito nunca se purifica na evasão. 

Purifica-se na realidade 

Fica mais forte quando a adversidade atinge e, mesmo assim, escolhemos permanecer firmes. 

Enobrece-se quando o pensamento governa a paixão, quando a inteligência disciplina a força e quando o dever acaba por se impor sobre o conforto. 

Assim como o aço só atinge a sua tempera ao atravessar o fogo da forja e a severidade do martelo, o caráter do iniciado só adquire consistência ao suportar o peso da prova, o rigor do tempo e a responsabilidade pelas suas próprias decisões.

Não espere encontrar uma paz definitiva, pois essa promessa pertence à linguagem das ilusões. 

Todo o topo conquistado revela outro ainda mais elevado; toda resposta fecunda gera novas perguntas; toda vitória interior inaugura uma exigência moral mais profunda. 

Quem interpreta esta lei como punição nunca entenderá a iniciação. 
Quem a reconhece como princípio do aperfeiçoamento terá descoberto uma das chaves da Arte Real.

John Morley afirmou que o grande propósito da educação é formar caráter. 

Nenhuma definição descreve com maior precisão o trabalho maçônico. 

Conhecimento não representa um ornamento intelectual nem um privilégio reservado a poucos. 

É uma responsabilidade crescente. 

Quanto maior a luz recebida, maior o dever de colocá-la ao serviço do bem.

E, por isso, a liberdade também não é um direito espontâneo. 

Seguindo o pensamento de Morley, só é livre quem aprendeu a governar sua própria consciência. 

Toda liberdade exterior é desprovida de sentido enquanto o homem permanecer sujeito à escravidão das suas paixões. 

Governar-se é a forma mais alta de autogoverno e a primeira condição para aspirar a governar qualquer outra realidade.

Maçonaria, por isso, não promete descanso. 

Promete crescimento. 
Não oferece abrigos para fugir do mundo, mas ferramentas para compreendê-lo e transformá-lo. 

Não entrega coroas destinadas a satisfazer a vaidade, mas responsabilidades cujo peso aumenta à medida que a consciência cresce. 

O iniciado descobre então que o amor deixa de ser uma emoção passageira para se tornar a expressão mais elevada da inteligência moral: a vontade constante de construir, servir e aperfeiçoar-se.

A verdadeira Luz nunca desce como um dom imerecido. 
A luz conquista-se. 
Cincela-se. 

Lentamente forja-se na solidão do estudo, na disciplina do pensamento, na contemplação silenciosa e na nobreza das obras. 

É uma chama cuja fortaleza vem precisamente do fogo que tentou apagá-la.

Então o homem deixa de pedir uma existência sem batalhas.

Compreenda que cada combate representa uma oportunidade de ascensão; que toda dificuldade constitui uma pedra destinada ao Templo; que toda prova é, na verdade, um grau invisível.

E finalmente descobre que a vitória suprema nunca consiste em derrotar os outros.

Consiste em conquistar, de novo e de novo, a ignorância, o orgulho e o medo que ainda permanecem escondidos dentro de si.

Porque Maçonaria 
não é um caminho para o conforto.

É a arte de transformar a luta diária 
em uma arquitetura do espírito, 
onde cada pensamento reto, 
cada ato virtuoso e cada decisão justa adicionam mais uma pedra 
ao único templo destinado 
a sobreviver ao tempo:
o próprio homem.

Dr. H.C. Cohutec Vargas Génis ✠ 33°

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