Noite escura da alma...

 


Existe um momento no caminho que ninguém conseguiu antecipar totalmente, embora muitos o descrevam.

É um momento em que o candidato que atravessa raramente o reconhece como o que é. 

Os mestres das antigas tradições chamaram-lhe a noite escura da alma. 

Outros o descrevem como o acompanhamento inevitável que traz a libertação da forma e introdução na vida espiritual.

É o momento em que tudo o que o aspirante construiu no mundo da forma, seus relacionamentos, sua reputação, suas certezas, o equilíbrio estático de uma vida desenvolvida dentro dos limites conhecidos, é alterado de dentro pela força de algo que ele mesmo despertou mas que agora não consegue controlar.

A alma, uma vez que começou a operar com maior intensidade na vida do aspirante, não respeita as fronteiras que a personalidade tinha traçado com tanto cuidado.
A mente contemplativa atrai tudo isso sobre si mesma através da força da sua própria aspiração. 

Não é um castigo. 
Não é um erro de estrada. 

É o acompanhamento inevitável do processo de libertação. 

Quem não pode aceitar a perda do que era relativo não pode se abrir ao ganho do que é essencial.

Se a aspiração é forte e a vontade é firme, nada mais importa. 

Nem o sofrimento, nem a perda, nem a decepção, nem o ridículo, nem qualquer outro obstáculo ou estorvo 
desviará o passo firme do pretendente 
e o seu progresso no caminho interior. 

Noite escura não é o fim do caminho. 

É a confirmação de que o caminho é real e está te transformando.

O pretendente que compreende, não com a mente apenas, mas com essa compreensão mais profunda que se assenta no centro do se, descobre na noite escura algo inesperado. 

Não apenas dor. 

Também uma estranha e firme serenidade que não depende das circunstâncias externas. 

Como se, no momento em que tudo o que é externo desmorona, algo interno que sempre esteve lá se tornasse pela primeira vez totalmente sensível a ele.

Aquilo que se torna visível na escuridão mais profunda 
é precisamente a luz da alma. 

E quem a viu uma vez não pode confundir mais nada com ela.

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