QUANDO A ESCURIDÃO DESAPARECE, A TRABALHO COMEÇA...

 

Na tradição maçônica,
a iniciação não representa apenas
a entrada em uma instituição.

É, acima de tudo, uma experiência simbólica de transformação.
O candidato passa por um estado de incerteza e escuridão para receber o Luz, entendido como conhecimento, consciência e orientação moral.

Não é uma iluminação instantânea, mas o início de uma busca que requer trabalho constante.
A escuridão aqui tem um significado profundo.
Representa o que ainda não entendemos, mas também o que preferimos não olhar dentro de nós mesmos.

O iniciado é chamado a reconhecer
suas próprias limitações,
examinar suas preconceitos e
submeter suas paixões à razão.

A primeira vitória não consiste em derrotar outro homem, mas em começar a governar a si mesmo.
É por isso que a pedra rústica é um dos símbolos fundamentais do simbolismo maçônico.

Um homem não chega ao Templo terminado: ele chega como uma obra em andamento.

A espada e o martelo representam, na linguagem alheia maçônica, as ferramentas através das quais se pode trabalhar no caráter.

Cada golpe simboliza esforço, disciplina e vontade; cada martelo representa uma imperfeição reconhecida e trabalhada.
As ferramentas também ensinam um modo de viver.

A espada tradicional é tradicionalmente associada à retidão e à conduta; o compasso, com medida, limites e autocontrole; o nível, com igualdade fundamental entre os seres humanos.

Esses símbolos não têm valor pela sua aparência, mas pela conduta que inspiram.

Carregar-os com você não faz sentido se não forem aplicados em decisões diárias.
E aqui está um dos ensinamentos mais importantes: a iniciação não termina no Templo.

O ritual pode marcar um começo, mas a verdadeira transformação é mostrada na vida cotidiana: na forma como se fala, ouve, age, trata o adversário, reconhece um erro e serve sem buscar reconhecimento.

A maçônia pode fornecer símbolos e ferramentas; trabalhar em sua própria pedra corresponde a cada indivíduo.

Além disso, é importante distinguir entre um símbolo e realidade histórica.

Não existe uma única interpretação universal de todos os elementos iniciativos: rituais, formulações e ênfase podem variar consideravelmente entre oblações e rituais.

O que parece amplamente reconhecido na Masonaria simbólica é o uso de uma linguagem alegórica relacionada à construção, à Luz, aos instrumentos do construtor e à perfeição moral.

O verdadeiro iniciador, então, não é aquele que acredita ter encontrado todas as respostas, mas aquele que aprendeu a formular perguntas melhores.

Ele entende que a sabedoria não consiste em acumular segredos ou títulos, mas em transformar o conhecimento em virtude e a virtude em conduta.

Porque receber a Luz é apenas o começo.
A verdadeira desafio é aprender a caminhar com ela quando o Templo é deixado para trás.
Por Carlos L. Sánchez

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