A relação entre GADU, tempo, espaço e matéria permite uma reflexão maçônica profunda: o homem vive dentro dessas dimensões, mas busca compreender aquilo que está além delas.
O homem nasce dentro de três grandes condições da existência: tempo, espaço e matéria.
Temos um corpo que ocupa um lugar.
Temos uma existência que acontece no tempo.
E temos uma consciência que procura compreender o significado de tudo isso.
Mas a Maçonaria nos conduz a uma pergunta ainda mais profunda:
Se o homem está limitado pelo tempo, pelo espaço e pela matéria, aquilo que chamamos de GADU estaria submetido a essas mesmas limitações?
O Grande Arquiteto do Universo não deve ser compreendido simplesmente como uma figura humana ampliada ou como uma explicação científica para a origem do Universo.
Na tradição maçônica, GADU representa o Princípio ordenador, transcendente e superior, diante do qual o homem reconhece os limites do próprio conhecimento.
O TEMPO
O tempo nos lembra que somos passageiros.
Tudo aquilo que construímos materialmente sofre a ação do tempo. O templo envelhece, o corpo envelhece, as gerações passam.
O maçom, entretanto, aprende que existe uma diferença entre viver no tempo e dar sentido ao tempo.
Não podemos impedir o tempo.
Podemos, porém, decidir o que fazer com ele.
Cada dia pode ser uma oportunidade de desbastar uma aspereza, corrigir uma imperfeição e acrescentar uma pedra à construção do nosso templo interior.
O ESPAÇO
O espaço estabelece nossos limites.
Estamos aqui e não em outro lugar. Nosso corpo ocupa determinado espaço, nossa existência acontece em determinado contexto e nossas ações alcançam aqueles que estão ao nosso redor.
Na Loja, entretanto, o espaço adquire dimensão simbólica.
O Templo representa muito mais do que paredes. Ele representa um espaço de transformação.
Entramos nele como homens imperfeitos e somos convidados a sair dele um pouco mais conscientes de nossas responsabilidades.
A MATÉRIA
A matéria é aquilo que podemos tocar.
A pedra bruta é matéria.
Mas, para o maçom, ela também é símbolo.
A pedra representa o próprio homem: carregada de imperfeições, mas possuidora da possibilidade de transformação.
O trabalho maçônico consiste justamente em transformar a matéria exterior e, principalmente, transformar a matéria interior de nossa existência: nossos hábitos, paixões, preconceitos, vaidades e limitações.
E ONDE ESTÁ GADU?
Talvez esteja justamente na pergunta que permanece quando nossas certezas terminam.
A ciência pode investigar o Universo, medir o tempo, estudar a matéria e compreender cada vez melhor o espaço.
Mas a pergunta sobre o sentido último da existência permanece sendo também uma questão filosófica e espiritual.
É nesse território que o símbolo de GADU adquire sua força maçônica.
GADU nos recorda que não somos o centro do Universo e que nosso conhecimento possui limites.
Diante da imensidão do cosmos, o verdadeiro sábio não é aquele que afirma conhecer tudo.
É aquele que reconhece o quanto ainda precisa aprender.
O HOMEM ENTRE O FINITO E O INFINITO
Somos seres finitos tentando compreender o infinito.
Vivemos no tempo, ocupamos um espaço e dependemos da matéria.
Mas possuímos algo extraordinário: a capacidade de perguntar.
De onde viemos?
Para onde vamos?
Por que existimos?
Qual é o sentido de nossa passagem pelo mundo?
O que estamos construindo enquanto o tempo passa?
Talvez uma das grandes lições maçônicas seja compreender que não precisamos possuir todas as respostas para viver uma vida digna.
Precisamos continuar buscando a Luz.
O GADU, nesse sentido, não elimina o mistério.
Ele nos ensina a respeitá-lo.
E talvez seja justamente aí que começa a verdadeira humildade do maçom:
Reconhecer que o Universo é infinitamente maior que o homem, mas que cada homem possui a responsabilidade de construir, dentro do pequeno espaço que lhe foi concedido pelo tempo, uma obra que justifique sua existência.
O tempo passa.
O espaço permanece.
A matéria se transforma.
E o homem parte.
Mas aquilo que construímos em caráter, conhecimento, fraternidade e amor ao próximo pode ultrapassar os limites de nossa própria existência.
Esta é a obra que o maçom realiza enquanto caminha sob o olhar simbólico do Grande Arquiteto Do Universo.
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