A autorregulação na Maçonaria pode ser entendida como a capacidade de o próprio maçom governar seus pensamentos, emoções, palavras e atitudes, antes que seja necessário qualquer controle externo.
A própria ideia de disciplina maçônica aponta nessa direção:
A disciplina não deve ser apenas uma imposição, mas algo reconhecido e assumido livremente pelo homem que busca aperfeiçoar-se.
Autorregulação: o governo de si mesmo
A Maçonaria ensina que a verdadeira construção não acontece apenas nas paredes do Templo, mas, sobretudo, dentro do próprio homem.
Por isso, autorregulação é uma palavra profundamente compatível com a jornada maçônica.
Autorregular-se é aprender a pensar antes de falar, refletir antes de julgar, controlar antes de reagir e escolher antes de agir.
É substituir o impulso pela consciência.
O maçom pode receber instruções, símbolos, ensinamentos e orientações; entretanto, nenhuma autoridade poderá realizar por ele a obra de transformação interior.
A Maçonaria é apresentada como uma instituição voltada ao aperfeiçoamento moral, intelectual e social do ser humano, tendo entre seus objetivos a investigação da verdade e a prática das virtudes.
A disciplina exterior estabelece limites.
A autorregulação estabelece limites dentro de nós mesmos.
É quando o Irmão não precisa ser advertido para cumprir seu dever.
Não precisa ser observado para agir corretamente.
Não precisa de aplausos para fazer o bem.
Não precisa ocupar um cargo para demonstrar liderança.
Não precisa vencer o outro, porque aprendeu que sua maior vitória é vencer a si mesmo.
O verdadeiro domínio maçônico não é o domínio sobre pessoas.
É o domínio sobre o próprio ego.
Quando a vaidade aparece, a consciência pergunta:por que preciso ser reconhecido?
Quando a ira surge, pergunta:preciso realmente responder agora?
Quando o orgulho fala, pergunta: estou defendendo a verdade ou apenas defendendo a mim mesmo?
Quando a palavra pode ferir, o silêncio torna-se uma ferramenta de construção.
É nesse ponto que a autorregulação deixa de ser simplesmente comportamento e transforma-se em virtude.
O maçom aprende progressivamente que liberdade não significa fazer tudo aquilo que deseja.
Significa ter consciência suficiente para escolher aquilo que deve fazer.
Por isso, liberdade e disciplina não são opostas.
Uma disciplina assumida conscientemente pode ser justamente o instrumento que permite ao homem exercer uma liberdade responsável.
A régua ensina medida.
O esquadro ensina retidão.
O compasso ensina limites.
Mas nenhum desses instrumentos terá significado se o homem não os transformar em instrumentos de sua própria consciência.
A grande pergunta, portanto, não é:
“Quem está me controlando?”
Mas:
“Quem sou eu quando ninguém está me observando?”
Essa talvez seja uma das maiores provas da formação maçônica.
Porque o homem verdadeiramente iniciado não precisa apenas conhecer as regras.
Ele precisa incorporá-las à própria consciência.
Autorregulação é quando a lei deixa de estar somente escrita diante dos nossos olhos e passa a estar gravada dentro de nós.
É quando o maçom passa da obediência exterior para a consciência interior.
E, nesse momento, começa a compreender que o verdadeiro Templo que precisa ser constantemente aperfeiçoado é aquele que carrega dentro de si.
O maior exercício de autoridade do maçom é governar a si mesmo!
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