AUTORREGULAÇÃO NA MAÇONARIA

A autorregulação na Maçonaria pode ser entendida como a capacidade de o próprio maçom governar seus pensamentos, emoções, palavras e atitudes, antes que seja necessário qualquer controle externo.

A própria ideia de disciplina maçônica aponta nessa direção: 

A disciplina não deve ser apenas uma imposição, mas algo reconhecido e assumido livremente pelo homem que busca aperfeiçoar-se.

Autorregulação: o governo de si mesmo

AUTORREGULAÇÃO NA MAÇONARIA
O primeiro homem que o maçom precisa aprender a governar é a si mesmo!

A Maçonaria ensina que a verdadeira construção não acontece apenas nas paredes do Templo, mas, sobretudo, dentro do próprio homem.

Por isso, autorregulação é uma palavra profundamente compatível com a jornada maçônica.

Autorregular-se é aprender a pensar antes de falar, refletir antes de julgar, controlar antes de reagir e escolher antes de agir.

É substituir o impulso pela consciência.

O maçom pode receber instruções, símbolos, ensinamentos e orientações; entretanto, nenhuma autoridade poderá realizar por ele a obra de transformação interior. 

A Maçonaria é apresentada como uma instituição voltada ao aperfeiçoamento moral, intelectual e social do ser humano, tendo entre seus objetivos a investigação da verdade e a prática das virtudes.

A disciplina exterior estabelece limites.

A autorregulação estabelece limites dentro de nós mesmos.

É quando o Irmão não precisa ser advertido para cumprir seu dever.

Não precisa ser observado para agir corretamente.

Não precisa de aplausos para fazer o bem.

Não precisa ocupar um cargo para demonstrar liderança.

Não precisa vencer o outro, porque aprendeu que sua maior vitória é vencer a si mesmo.

O verdadeiro domínio maçônico não é o domínio sobre pessoas.

É o domínio sobre o próprio ego.

Quando a vaidade aparece, a consciência pergunta:por que preciso ser reconhecido?

Quando a ira surge, pergunta:preciso realmente responder agora?

Quando o orgulho fala, pergunta: estou defendendo a verdade ou apenas defendendo a mim mesmo?

Quando a palavra pode ferir, o silêncio torna-se uma ferramenta de construção.

É nesse ponto que a autorregulação deixa de ser simplesmente comportamento e transforma-se em virtude.

O maçom aprende progressivamente que liberdade não significa fazer tudo aquilo que deseja. 

Significa ter consciência suficiente para escolher aquilo que deve fazer.

Por isso, liberdade e disciplina não são opostas. 

Uma disciplina assumida conscientemente pode ser justamente o instrumento que permite ao homem exercer uma liberdade responsável.

A régua ensina medida.

O esquadro ensina retidão.

O compasso ensina limites.

Mas nenhum desses instrumentos terá significado se o homem não os transformar em instrumentos de sua própria consciência.

A grande pergunta, portanto, não é:

“Quem está me controlando?”

Mas:

“Quem sou eu quando ninguém está me observando?”

Essa talvez seja uma das maiores provas da formação maçônica.

Porque o homem verdadeiramente iniciado não precisa apenas conhecer as regras.

Ele precisa incorporá-las à própria consciência.

Autorregulação é quando a lei deixa de estar somente escrita diante dos nossos olhos e passa a estar gravada dentro de nós.

É quando o maçom passa da obediência exterior para a consciência interior.

E, nesse momento, começa a compreender que o verdadeiro Templo que precisa ser constantemente aperfeiçoado é aquele que carrega dentro de si.

O maior exercício de autoridade do maçom é governar a si mesmo!


Comentários