DE ONDE VINDES?

 

Uma reflexão sobre a simbologia maçônica

Na Maçonaria, a pergunta “De onde vindes?” ultrapassa os limites de uma simples indagação sobre a procedência de um Irmão. 

Ela nos convida a refletir sobre nossa origem, nossa caminhada e o verdadeiro significado da iniciação.

De onde vindes, meu Irmão?

Vindes do mundo profano, onde a vida nos ensina por meio das experiências, das alegrias, das dificuldades e das responsabilidades.

Vindes de uma sociedade marcada por contradições, onde o homem frequentemente se perde na busca pelo poder, pelo reconhecimento e pelos bens materiais, esquecendo-se de que a maior conquista é o domínio de si mesmo.

Vindes de vossas próprias imperfeições, trazendo as marcas de vossas escolhas, os ensinamentos dos erros cometidos e a esperança de construir um homem melhor.

Mas, ao ingressardes no Templo, sois convidados a deixar do lado de fora aquilo que impede o verdadeiro trabalho interior: o orgulho, a intolerância, a vaidade e os preconceitos.

A pergunta, então, ganha uma dimensão filosófica.

Não importa apenas de onde viemos geograficamente, mas de onde viemos espiritualmente, moralmente e intelectualmente.

De onde viemos como homens?

Viemos de uma história que não começou conosco. Somos frutos de gerações, de ensinamentos, de experiências e de valores que recebemos daqueles que nos antecederam.

De onde viemos como maçons?

Viemos de um compromisso assumido livremente: trabalhar pela própria evolução, reconhecer nossas imperfeições e contribuir para a construção de uma humanidade mais justa, fraterna e solidária.

A iniciação não apaga nosso passado. 

Ela nos oferece uma nova maneira de compreendê-lo.

O verdadeiro maçom não renega o homem que foi; procura transformar aquele homem em alguém melhor.

E talvez a pergunta mais profunda seja esta:

De onde vindes, meu Irmão, e o que fizestes com a luz que recebestes?

Porque não basta ter recebido a luz. É necessário aprender a compreendê-la, conservá-la e compartilhá-la.

Não basta conhecer os símbolos. É preciso transformar seus ensinamentos em atitudes.

Não basta frequentar o Templo. É necessário levar o Templo dentro de si.

Reflexão final

Quando nos perguntarem de onde viemos, que nossa resposta não se limite ao lugar de onde partimos ou à condição em que fomos iniciados.

Que possamos responder com a consciência de quem reconhece sua própria trajetória:

Venho do mundo profano, trazendo minhas imperfeições, minhas experiências e minha esperança. Venho em busca da luz, disposto a trabalhar sobre a pedra bruta que ainda sou.

E que, ao final de nossa jornada, possamos olhar para trás e reconhecer que não permanecemos os mesmos.

Porque o sentido da caminhada maçônica não está apenas em saber de onde viemos, mas em compreender quem nos tornamos e que legado deixaremos à humanidade.

Do meio-dia à meia-noite, que cada passo seja uma oportunidade de evolução.


Antonio Claudio Ventura MI 
Grande Inspetor Geral da Ordem — Grau 33

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