O QUE MUDOU EM MIM
Aos 75 anos, diante do meu Templo Interior
Aos 75 anos, quando olho para trás, percebo que muitas coisas mudaram em mim.
Mudou meu olhar sobre a vida.
Mudou minha compreensão sobre o tempo.
Mudou minha maneira de enxergar as pessoas, os acontecimentos e, principalmente, a mim mesmo.
E talvez essa seja uma das maiores lições que a Maçonaria me ensinou:
o verdadeiro Templo que o homem precisa construir não está fora dele.
Está dentro.
Quando jovem, eu talvez estivesse mais preocupado em construir caminhos, conquistar espaços, realizar projetos e deixar marcas no mundo.
Hoje, compreendo que a obra mais importante é outra:
construir a mim mesmo.
Aos 75 anos, já não tenho a mesma pressa.
Aprendi que o tempo não é nosso inimigo.
Ele é o grande mestre que vai retirando de nós aquilo que é superficial e deixando aquilo que realmente tem valor.
Na construção do Templo Interior, algumas pedras precisaram ser retiradas.
O orgulho precisou ser lapidado.
A impaciência precisou ser trabalhada.
O ego precisou ser enfrentado.
Algumas certezas precisaram ser questionadas.
Algumas feridas precisaram ser compreendidas.
E descobri que o homem não se torna melhor porque acredita que já está pronto.
Ele se torna melhor quando reconhece que ainda está em construção.
O esquadro me ensinou a retidão.
Hoje compreendo que ser reto não significa ser perfeito. Significa procurar coerência entre aquilo que penso, aquilo que digo e aquilo que faço.
O compasso me ensinou limites.
Aprendi que nem tudo aquilo que posso fazer devo fazer. A verdadeira liberdade também exige domínio de si mesmo.
O nível me ensinou igualdade.
Aos 75 anos, compreendo que títulos, posições, reconhecimento e diferenças externas perdem importância diante daquilo que realmente somos quando estamos diante de nossa própria consciência.
E o prumo continua me lembrando:
é preciso permanecer de pé.
Não porque a vida tenha sido fácil, mas porque cada dificuldade também participou da construção daquilo que somos.
Hoje, valorizo mais o silêncio.
Não porque tenha menos coisas a dizer, mas porque aprendi que nem toda verdade precisa ser pronunciada e que algumas respostas somente aparecem quando aprendemos a ouvir.
Valorizo mais a presença.
Uma palavra sincera.
Um abraço.
Um olhar.
Um irmão que permanece ao nosso lado quando não há nada a ganhar.
Aprendi também que algumas pessoas fazem parte da nossa construção mesmo quando deixam de caminhar conosco.
Algumas nos ensinam pelo amor.
Outras, pela dor.
Algumas nos mostram aquilo que devemos ser.
Outras nos mostram aquilo que jamais queremos nos tornar.
Todas, de alguma maneira, deixam uma marca na pedra que somos.
Aos 75 anos, percebo que não estou diante de uma obra concluída.
Estou diante de uma obra que continua.
Ainda existem arestas a aparar.
Ainda existem pensamentos a corrigir.
Ainda existem virtudes a desenvolver.
Ainda existem sombras que precisam receber luz.
E talvez seja justamente essa a beleza da caminhada maçônica:
não chegamos ao Templo Interior como homens prontos; chegamos como homens dispostos a continuar trabalhando.
Hoje, quando olho para minha própria história, não quero apagar aquilo que fui.
Quero compreender.
Porque cada erro foi uma ferramenta.
Cada dificuldade foi uma pedra.
Cada perda foi uma lição sobre impermanência.
Cada encontro foi uma oportunidade de aprendizado.
Cada conquista foi um convite à humildade.
E cada novo amanhecer continua sendo uma oportunidade de colocar mais uma pedra no meu Templo Interior.
Aos 75 anos, talvez eu tenha aprendido que a verdadeira riqueza não está naquilo que acumulamos, mas naquilo que conseguimos transformar dentro de nós.
Não importa quantas pedras já colocamos.
Importa que continuemos trabalhando.
Porque enquanto houver vida, haverá obra.
Enquanto houver consciência, haverá aperfeiçoamento.
Enquanto houver luz, haverá sombras a iluminar.
E enquanto houver um homem disposto a vencer a si mesmo, o Templo Interior continuará sendo construído.
Hoje, diante de mim mesmo, posso dizer:
Mudei.
Não sou mais o homem que fui.
Mas também ainda não sou o homem que desejo ser.
Sou a obra em andamento.
Sou a pedra que continua sendo lapidada.
Sou o aprendiz permanente de minha própria existência.
E talvez esta seja a grande lição dos meus 75 anos:
a vida não me deu tempo para terminar o meu Templo Interior.
Deu-me algo muito mais precioso:
tempo para continuar construindo.
Que o Grande Arquiteto do Universo me conceda luz, discernimento e humildade para continuar trabalhando.
Porque a minha maior obra ainda não está atrás de mim...
Ela está dentro de mim...
E a construção continua...
“Somos o que sobrou” pode ser uma poderosa reflexão sobre a vida, especialmente quando pensamos nas perdas, nas mudanças e naquilo que permanece quando muitas certezas desaparecem.
ResponderExcluirNão somos apenas aquilo que conquistamos. Somos também o que resistiu depois das perdas: os valores que não abandonamos, as pessoas que continuaram ao nosso lado, as experiências que nos transformaram e a consciência que construímos ao longo do caminho.
Às vezes, a vida retira títulos, posições, bens, juventude, certezas e até pessoas que amamos. E então descobrimos algo essencial:
somos o que sobrou — mas o que sobrou pode ser justamente o que há de mais verdadeiro em nós.
Na perspectiva maçônica, poderíamos dizer que o homem é como a pedra que passa pelo desbaste. Cada golpe retira alguma coisa, mas também revela uma forma que antes estava escondida.
O que sobra depois do desbaste é o nosso verdadeiro trabalho.
Não importa somente o que a vida levou.
Importa quem nos tornamos depois que ela levou.
Somos o que sobrou.
E talvez seja exatamente com esse “resto” que ainda possamos construir algo maior.