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Uma reflexão sobre a virtude que transforma o homem e ilumina a humanidade
A bondade é uma das mais belas expressões da evolução moral do ser humano.
Na Maçonaria, ela não deve ser compreendida apenas como um sentimento de simpatia ou uma disposição momentânea de ajudar alguém, mas como uma virtude que precisa ser cultivada diariamente, até se transformar em uma maneira de viver.
Ser bom é muito mais do que praticar um gesto generoso.
É desenvolver a capacidade de compreender o sofrimento alheio, respeitar as diferenças, agir com justiça e reconhecer que cada ser humano carrega consigo suas próprias lutas, imperfeições e esperanças.
A verdadeira bondade não necessita de aplausos.
Ela se manifesta na simplicidade dos gestos, na sinceridade das atitudes e na disposição de fazer o bem mesmo quando ninguém está observando.
1. A bondade como construção do Templo Interior
O maçom aprende que a construção do Templo Interior exige trabalho permanente sobre si mesmo.
O esquadro nos convida à retidão de nossas ações. O compasso nos recorda a necessidade de estabelecer limites para nossas paixões. A pedra bruta simboliza nossas imperfeições, que precisam ser trabalhadas com paciência, disciplina e perseverança.
Mas de que adiantaria dominar os símbolos, conhecer os ensinamentos e alcançar os mais elevados graus se não conseguíssemos desenvolver a bondade em nosso coração?
A evolução maçônica não se mede apenas pelo conhecimento adquirido, pelos títulos conquistados ou pelas funções exercidas.
Ela também se revela na maneira como tratamos nossos semelhantes.
O verdadeiro trabalho começa quando compreendemos que não basta desejar um mundo melhor: precisamos nos tornar pessoas capazes de contribuir para sua construção.
A bondade é uma das ferramentas mais poderosas para transformar a pedra bruta em uma obra de amor, fraternidade e humanidade.
2. A bondade entre os Irmãos
A fraternidade maçônica não se limita ao reconhecimento de que pertencemos à mesma Ordem.
Ela se fortalece quando aprendemos a ouvir, compreender, acolher e respeitar nossos Irmãos, inclusive quando existem divergências.
Ser fraterno é saber estender a mão ao Irmão que enfrenta dificuldades, oferecer uma palavra de conforto àquele que sofre e reconhecer o mérito de quem realiza um bom trabalho.
É também compreender que a verdadeira grandeza não está em humilhar quem sabe menos, mas em compartilhar conhecimento; não está em exercer autoridade para dominar, mas em utilizá-la para servir.
A bondade entre os Irmãos exige humildade para reconhecer os próprios erros, coragem para pedir perdão e generosidade para perdoar.
Uma Loja pode possuir belíssimos templos, rituais cuidadosamente executados e Irmãos detentores de elevados conhecimentos. Entretanto, sua verdadeira riqueza está na qualidade humana daqueles que a compõem.
Onde existe bondade sincera, a fraternidade deixa de ser uma palavra ritualística e se transforma em experiência viva.
3. A bondade para além das colunas
A Maçonaria ensina ao homem a importância de trabalhar pelo aperfeiçoamento da humanidade.
Por isso, a bondade não pode ficar restrita ao ambiente da Loja.
Ela precisa acompanhar o maçom em sua casa, no convívio familiar, no trabalho, nas relações sociais e em todos os lugares onde sua presença possa representar uma oportunidade de fazer o bem.
Ser maçom é compreender que a humanidade não precisa apenas de discursos sobre justiça, liberdade e igualdade. Precisa de pessoas que pratiquem esses valores.
A bondade se manifesta quando ajudamos sem exigir recompensa, quando respeitamos quem pensa diferente, quando defendemos aquele que sofre uma injustiça e quando utilizamos nossa experiência para orientar, sem impor.
Não precisamos realizar grandes feitos para transformar o mundo.
Às vezes, uma palavra pronunciada no momento certo, um gesto de solidariedade ou uma atitude de compreensão podem modificar profundamente a vida de alguém.
A verdadeira caridade não diminui aquele que recebe. Ela reconhece sua dignidade e reafirma nossa responsabilidade humana.
4. Bondade não é fraqueza
É importante compreender que ser bom não significa ser ingênuo, aceitar injustiças ou permitir que a maldade prevaleça.
A bondade verdadeira caminha ao lado da justiça, da prudência e da coragem.
Há momentos em que ser bom significa dizer não. Há situações em que a fraternidade exige uma advertência sincera. Existem circunstâncias em que defender a dignidade humana exige firmeza.
O maçom deve aprender a distinguir a bondade da submissão, o perdão da conivência e a tolerância da indiferença.
A bondade não elimina a necessidade de corrigir o que está errado. Ela determina que essa correção seja realizada com respeito, equilíbrio e humanidade.
Aquele que age com bondade não procura vencer o semelhante pela humilhação, mas contribuir para que ambos possam crescer.
5. A bondade como legado
Ao longo da vida, acumulamos experiências, conhecimentos, títulos e realizações. Contudo, existe uma herança que não pode ser medida por documentos ou reconhecimentos: o bem que deixamos na vida das pessoas.
O maçom que compreende o valor da bondade percebe que seu maior legado não está apenas naquilo que construiu materialmente, mas naquilo que ajudou a construir dentro dos outros.
Um Irmão que ensinou com paciência, um pai que educou com amor, um amigo que permaneceu presente nos momentos difíceis e um cidadão que agiu com honestidade deixam marcas que o tempo dificilmente apaga.
A bondade é uma semente que, muitas vezes, floresce longe dos olhos de quem a plantou.
E talvez seja essa uma das mais profundas lições da vida maçônica: não precisamos estar presentes para sempre, mas podemos deixar algo de bom que continue vivendo na memória e nas atitudes daqueles que passaram por nosso caminho.
Reflexão final
Que valor possuem nossos conhecimentos se não formos capazes de utilizá-los para o bem?
De que nos servem os símbolos que estudamos, se não conseguirmos transformar seus ensinamentos em atitudes?
De que adianta falar de fraternidade, se não tivermos sensibilidade para perceber o sofrimento de um Irmão?
A bondade é uma virtude silenciosa, mas de extraordinário poder.
Ela não exige reconhecimento, não procura recompensas e não necessita de testemunhas.
Ela simplesmente acontece quando o homem compreende que sua evolução não pode ser construída sobre a indiferença diante da dor alheia.
Ser maçom é trabalhar sobre si mesmo para se tornar um ser humano melhor.
E ser um ser humano melhor significa compreender que a grandeza não está apenas naquilo que conquistamos, mas principalmente naquilo que somos capazes de oferecer.
Que o esquadro nos inspire a agir com retidão.
Que o compasso nos ensine a controlar nossas paixões.
Que a luz do conhecimento ilumine nossa consciência.
E que a bondade seja a argamassa que una nossas pedras, fortalecendo os laços de uma fraternidade verdadeira.
Porque, no final de nossa caminhada, talvez não sejamos lembrados por todos os títulos que recebemos, mas certamente poderemos ser lembrados pelo bem que praticamos.
Que cada Irmão seja uma presença de bondade, uma expressão de fraternidade e um instrumento de transformação da humanidade.
E que, ao encerrarmos nossos trabalhos, possamos levar para fora das colunas a certeza de que a maior obra maçônica não é aquela que construímos com as mãos, mas aquela que realizamos no coração dos homens.
Antonio Claudio VenturaReflexão maçônica para o blog Crescendo para Evoluir.
Dia após dia, tornando-se um ser humano melhor!
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