Responsabilidade Social e Maçonaria

 

A responsabilidade social na Maçonaria pode ser compreendida como a passagem da formação moral do indivíduo para a transformação positiva da sociedade. 

O maçom não trabalha apenas para aperfeiçoar a si mesmo; sua conduta deve produzir efeitos no ambiente em que vive.

A Maçonaria tradicionalmente valoriza princípios como liberdade, igualdade, fraternidade, justiça, tolerância, solidariedade e aperfeiçoamento moral

Esses princípios ganham significado concreto quando deixam o espaço simbólico do Templo e se manifestam na vida cotidiana.

O verdadeiro compromisso social começa pelo próprio homem.

Não basta falar em fraternidade se somos indiferentes ao sofrimento do outro.
Não basta defender a justiça se somos injustos nas pequenas relações.
Não basta buscar a Luz se permanecemos indiferentes à ignorância que existe ao nosso redor.

A responsabilidade social maçônica não precisa significar necessariamente atuação partidária ou política. 

Ela pode manifestar-se de muitas maneiras: 

Educação, assistência aos necessitados, valorização da família, proteção da dignidade humana, incentivo à cidadania, combate à intolerância, preservação do meio ambiente e apoio àqueles que necessitam de amparo.

Há, porém, uma dimensão ainda mais profunda.

O maçom constrói o Templo Interior para que possa contribuir para a construção do Templo Social

A pedra bruta simboliza o próprio homem; o trabalho sobre ela representa o esforço de corrigir imperfeições. 

Mas uma pedra perfeitamente trabalhada que permanece isolada não cumpre sua finalidade. 

Ela precisa encontrar seu lugar na construção.

Assim também é o homem.

Quanto mais consciente de seus deveres, maior sua responsabilidade perante a sociedade.

A Loja pode ser vista, nesse sentido, como uma escola de convivência. Ali aprendemos a ouvir, respeitar diferenças, controlar paixões, argumentar sem destruir o outro e compreender que a fraternidade não elimina as diferenças — ensina-nos a conviver com elas.

A responsabilidade social maçônica começa quando perguntamos:

“O que a minha existência acrescenta à vida daqueles que estão ao meu redor?”

Essa pergunta desloca a Maçonaria do discurso para a ação.


Uma reflexão para leitura em Loja

A Maçonaria nos ensina que o homem é uma obra em permanente construção.

Entramos no Templo para trabalhar a pedra bruta que existe dentro de cada um de nós. 

Aprendemos a conhecer nossas imperfeições, dominar nossas paixões, aperfeiçoar nosso caráter e buscar a Luz.

Mas existe uma pergunta que não podemos deixar de fazer:

Para que serve o aperfeiçoamento do homem se ele não se transforma em benefício para a sociedade?

O trabalho maçônico não termina quando deixamos o Templo.

Ele continua na família, no trabalho, na comunidade e em todas as relações humanas.

Ser responsável socialmente é compreender que nossas escolhas possuem consequências sobre outras pessoas. 

É perceber o sofrimento do próximo. É oferecer ajuda quando podemos. É defender a dignidade humana. É educar pelo exemplo.

A fraternidade não pode ser apenas uma palavra pronunciada entre Irmãos.

Ela precisa tornar-se comportamento.

O esquadro nos recorda a retidão; o compasso, os limites que devemos respeitar; o nível, a igualdade fundamental entre os homens.

E quando esses símbolos deixam de ser apenas instrumentos ritualísticos e passam a orientar nossa conduta, começa verdadeiramente a responsabilidade social do maçom.

A sociedade não precisa apenas de homens que conheçam princípios.

Precisa de homens que vivam os princípios que professam.

Cada atitude de honestidade, cada gesto de solidariedade, cada palavra de tolerância e cada ato de justiça representa uma pequena contribuição para uma sociedade melhor.

Talvez essa seja uma das maiores responsabilidades que recebemos ao ingressar na Ordem:

ser melhores para que o mundo ao nosso redor também possa tornar-se um pouco melhor.

Porque o Templo que construímos dentro de nós somente estará completo quando sua Luz puder iluminar aqueles que caminham conosco.

Que sejamos, portanto, não apenas homens que buscam a Luz, mas homens que também a espargem.



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