A Maçonaria e o dever de votar
“O voto é secreto. A consciência é pública diante de nós mesmos.”
A Maçonaria ensina que o homem deve ser responsável por suas escolhas.
Não basta construir templos exteriores; é necessário construir, dentro de nós, o Templo da Consciência, onde cada decisão deve ser examinada à luz da razão, da liberdade e da responsabilidade.
Nas Eleições Gerais de 2026, o primeiro turno ocorrerá em 4 de outubro, das 8h às 17h, pelo horário de Brasília.
Havendo segundo turno, ele será realizado em 25 de outubro.
Serão escolhidos Presidente e Vice-Presidente da República, Governadores e Vice-Governadores, Senadores, Deputados Federais e Deputados Estaduais ou Distritais.
Mas o que isso representa para o maçom?
Representa, antes de tudo, uma oportunidade de exercer a cidadania com liberdade de consciência.
A Maçonaria não deve substituir a consciência individual de seus membros.
O voto é pessoal, direto e secreto.
Portanto, nenhuma preferência eleitoral deve ser transformada em obrigação maçônica, nem a fraternidade deve ser utilizada para constranger a liberdade de escolha de qualquer Irmão.
O maçom pode, entretanto, compreender o ato de votar como uma expressão concreta de sua responsabilidade perante a sociedade.
Votar não significa apenas apertar teclas na urna. Significa assumir responsabilidade pela própria escolha.
Antes de votar, é legítimo estudar, comparar informações, conhecer propostas, verificar trajetórias públicas e distinguir fatos de promessas eleitorais.
A Justiça Eleitoral disponibiliza informações oficiais sobre as Eleições 2026, inclusive planos de governo, candidaturas, legislação e ferramentas de orientação ao eleitor.
A Maçonaria nos ensina a combater a ignorância pelo conhecimento.
Por isso, o voto consciente exige que o cidadão não entregue sua decisão à paixão, à pressão de grupos, à desinformação ou simplesmente à palavra de terceiros.
O maçom não precisa votar como outro maçom.
Precisa votar de acordo com sua própria consciência.
Também é importante distinguir o dever legal do dever moral.
No Brasil, o alistamento e o voto são obrigatórios para brasileiros alfabetizados maiores de 18 e menores de 70 anos; para maiores de 70 anos, analfabetos e jovens de 16 e 17 anos, o voto é facultativo.
Assim, para aqueles a quem a lei impõe o comparecimento, votar é também cumprir uma obrigação eleitoral.
Para os que têm voto facultativo, a participação permanece como exercício legítimo de cidadania.
E aqui encontramos uma importante reflexão maçônica:
a liberdade não significa ausência de responsabilidade.
Ao contrário.
Quanto maior a liberdade de escolher, maior deve ser a responsabilidade por aquilo que escolhemos.
O maçom trabalha simbolicamente a Pedra Bruta para transformá-la em Pedra Polida.
No campo da cidadania, isso significa substituir a decisão impulsiva pela decisão refletida; a informação superficial pelo conhecimento; a intolerância pelo respeito; e a influência indevida pelo livre exame da consciência.
No dia da eleição, cada cidadão estará diante da urna.
Mas, simbolicamente, estará também diante de si mesmo.
Ninguém verá seu voto.
Entretanto, cada um saberá que exerceu — ou deixou de exercer — uma parcela da responsabilidade que possui perante a sociedade.
Que o maçom vote com liberdade.
Que vote com conhecimento.
Que vote com responsabilidade.
E que respeite a liberdade de quem pensa diferente.
Porque a verdadeira fraternidade não exige uniformidade de pensamento.
Ela exige respeito.
E talvez seja essa uma das maiores lições que podemos levar para fora do Templo:
a democracia não precisa que todos pensem da mesma maneira; precisa que todos sejam capazes de conviver respeitosamente com a diferença.
No silêncio da cabine de votação, não haverá Irmão, autoridade, partido ou grupo.
Haverá apenas o cidadão e a sua consciência.
E a consciência, como o Templo Interior, ninguém pode ocupar em nosso lugar.
A Maçonaria não determina o voto do maçom; ela pode estimular o exercício responsável da cidadania, do conhecimento, da liberdade de consciência e do respeito ao pensamento diferente.
Comentários
Postar um comentário