A VERDADEIRA RIQUEZA DO MAÇOM
Uma reflexão filosófica sobre os tesouros que não se compram, não se exibem e não se perdem.
A verdadeira riqueza do maçom não está no ouro que acumula, nos títulos que ostenta, no grau que alcança ou na posição que ocupa dentro da Ordem. Está naquilo que ele constrói silenciosamente dentro de si e manifesta, diariamente, por meio de suas atitudes.
O maior patrimônio de um maçom é o seu caráter.
De nada adianta conhecer os símbolos, dominar os ensinamentos dos rituais e alcançar os mais elevados graus da Maçonaria se, fora do Templo, suas atitudes contradizem aquilo que professa dentro dele.
A riqueza maçônica não se mede pelo brilho dos paramentos, mas pela luz que o homem consegue irradiar.
Não se revela pela quantidade de palavras pronunciadas em Loja, mas pela coerência entre aquilo que se diz e aquilo que se pratica.
O maçom verdadeiramente rico é aquele que aprendeu a ser humilde diante do conhecimento, prudente diante do julgamento, justo diante dos conflitos e solidário diante do sofrimento humano.
É aquele que compreende que a sabedoria não lhe concede o direito de se sentir superior aos outros, mas lhe impõe a responsabilidade de ser melhor do que foi ontem.
O verdadeiro tesouro do maçom está na consciência tranquila, na palavra honrada, na lealdade preservada e na fraternidade exercida sem interesses pessoais.
Há homens que possuem muitos bens materiais, mas são pobres de virtudes.
Há outros que não acumulam riquezas, títulos ou honrarias, mas carregam consigo uma fortuna que nenhuma crise econômica pode destruir: a dignidade.
Na Maçonaria, os graus podem reconhecer etapas de uma caminhada, mas não substituem a transformação interior.
O avental pode identificar o obreiro, mas não garante a grandeza do homem.
O conhecimento pode iluminar a inteligência, mas somente a consciência, acompanhada de atitudes responsáveis, pode orientar seu uso.
É por isso que a construção do Templo Interior exige um trabalho permanente.
A pedra bruta não se transforma por ostentar ferramentas, mas pelo esforço contínuo de corrigir imperfeições, vencer o orgulho, reconhecer os próprios erros e aprender com as experiências da vida.
E quanto mais o maçom evolui, mais deveria compreender que ainda tem muito a aprender.
A humildade é a riqueza de quem não precisa humilhar ninguém para demonstrar seu valor.
A honestidade é a riqueza de quem não negocia seus princípios.
A fraternidade é a riqueza de quem estende a mão sem perguntar qual vantagem receberá em troca.
E a liberdade interior é a riqueza de quem não se torna prisioneiro da vaidade, da ambição ou da necessidade de reconhecimento.
Quando chegar o momento em que os títulos perderem sua importância, os aplausos se calarem e os paramentos forem guardados, o que permanecerá?
Permanecerá o homem que fomos capazes de construir.
Permanecerá a lembrança que deixamos na vida daqueles que cruzaram nosso caminho.
Permanecerá o bem que praticamos, a justiça que defendemos, a palavra que cumprimos e o amor fraternal que conseguimos transformar em atitudes concretas.
Porque a verdadeira riqueza não está apenas naquilo que conquistamos para nós, mas, sobretudo, naquilo que nos tornamos e no que contribuímos para a vida dos outros.
Conclusão
O maçom pode perder seus bens, deixar cargos, encerrar funções e despedir-se das honrarias.
Mas, se tiver edificado um caráter íntegro, preservado sua dignidade e vivido os princípios que aprendeu, terá conquistado uma riqueza que não depende de circunstâncias externas.
A maior riqueza do maçom é ser reconhecido como homem de bem, não pelo que afirma ser, mas pelo que demonstra ser.
Que cada um de nós compreenda que o verdadeiro tesouro não está no Oriente de nossas Lojas, nem nos símbolos que contemplamos, mas na consciência que levamos conosco quando atravessamos as portas do Templo e retornamos ao mundo.
Pois a Maçonaria não se completa quando o maçom recebe um novo grau.
Ela se realiza quando o mundo encontra, nas atitudes desse homem, uma razão para acreditar que ainda vale a pena ser justo, honesto, humilde e fraterno.
Que a nossa maior fortuna seja a virtude; o nosso maior investimento, o aperfeiçoamento moral; e a nossa herança mais preciosa, o exemplo de uma vida digna.
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