A visão maçônica da promiscuidade na política brasileira


A partir de uma perspectiva maçônica, a “promiscuidade na política” pode ser compreendida não como crítica a pessoas ou partidos específicos, mas como a perda das fronteiras éticas entre interesse público, interesse privado e poder.

A visão maçônica da promiscuidade na política brasileira

A Maçonaria, em sua dimensão filosófica, parte de uma pergunta fundamental: para que serve o poder quando colocado a serviço do homem?

O poder político, em uma democracia, não deveria ser instrumento de enriquecimento pessoal, favorecimento particular ou perpetuação de grupos. Ele existe como delegação da sociedade e, portanto, carrega consigo responsabilidade, limites e prestação de contas.

O problema começa quando aquilo que deveria ser público passa a ser tratado como propriedade de interesses particulares.

Na linguagem simbólica da Maçonaria, poderíamos dizer que o político deveria trabalhar sobre a Pedra Bruta do próprio caráter antes de pretender edificar a sociedade. 

O esquadro lembra a retidão; o nível, a igualdade; o prumo, a verticalidade da conduta; e o compasso, os limites que o homem deve impor a si mesmo.

Quando esses instrumentos são esquecidos, surge uma inversão: o cargo deixa de ser um dever e passa a ser tratado como privilégio; a representação transforma-se em conveniência; a relação institucional confunde-se com interesses pessoais.

Mas há uma distinção importante: relações entre política, sociedade civil, entidades profissionais, empresas e organizações não são, por si mesmas, promíscuas. 

Em uma democracia, o diálogo e a representação de interesses fazem parte da vida pública. 

A questão ética está nos limites: transparência, legalidade, conflito de interesses, uso adequado dos recursos públicos e responsabilidade perante a sociedade.

A Maçonaria pode oferecer justamente essa reflexão:

O problema não está em ocupar espaço no poder. O problema está em permitir que o poder ocupe o lugar da consciência.

O verdadeiro construtor social não pergunta apenas:

“O que posso conquistar com o poder?”

Pergunta:

“O que devo fazer com o poder que me foi confiado?”

Essa é uma diferença essencial entre poder como instrumento de serviço e poder como finalidade pessoal.

Para uma reflexão em Loja

O Estado é um grande templo coletivo.
Seus alicerces são a Constituição, as instituições, as leis e a cidadania. 

Seus construtores são homens e mulheres investidos de responsabilidades públicas.

Quando interesses particulares se sobrepõem ao interesse coletivo, não é apenas uma instituição que se enfraquece. 

É a própria confiança social que começa a ruir.

Por isso, a mensagem maçônica permanece atual:

Não basta conhecer a moral; é necessário praticá-la.
Não basta falar em ética; é necessário viver eticamente.
Não basta possuir poder; é necessário saber limitá-lo.
Não basta representar o povo; é necessário lembrar que o mandato pertence ao povo.

E talvez essa seja uma das maiores lições que um maçom possa levar para a vida pública:

Quanto maior a autoridade recebida, maior deve ser a humildade diante do dever.

A verdadeira obra-prima política não é o homem que conquista o poder.

É o homem que, tendo poder, continua sendo capaz de colocar a consciência acima da conveniência.


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