Os protestantes e a Maçonaria

Os protestantes e a Maçonaria

Uma reflexão histórica, religiosa e filosófica sobre a fé cristã, a liberdade de consciência e a fraternidade maçônica.

A relação entre os protestantes e a Maçonaria é um tema que merece ser estudado sem preconceitos, mas também sem ignorar as divergências existentes entre determinadas igrejas evangélicas e a Ordem Maçônica.

Para compreender essa relação, precisamos separar três questões: o que a Maçonaria ensina, o que o protestantismo acredita e como cada cristão interpreta a possibilidade de pertencer às duas comunidades.

1. Por que alguns protestantes rejeitam a Maçonaria?

O protestantismo não constitui uma única organização religiosa. É formado por diversas denominações, com interpretações bíblicas e posições diferentes sobre a Maçonaria.

Entre as principais razões de rejeição estão:

  • A exclusividade de Jesus Cristo: algumas igrejas entendem que a linguagem maçônica sobre o Grande Arquiteto do Universo não expressa de maneira suficientemente explícita a centralidade de Jesus como Salvador.

  • O compromisso com juramentos: determinadas comunidades interpretam os juramentos e compromissos ritualísticos como incompatíveis com sua compreensão das palavras de Jesus em Mateus 5:34-37.

  • O caráter reservado dos rituais: há quem considere que cerimônias reservadas e sinais de reconhecimento entram em conflito com a transparência exigida pela fé cristã.

  • A interpretação das Escrituras: algumas lideranças evangélicas entendem que a Maçonaria reúne pessoas de diferentes convicções religiosas e, por isso, poderia comprometer a fidelidade doutrinária de seus membros.

Essas objeções precisam ser compreendidas em seu contexto. Nem todos os protestantes concordam com elas, e não seria correto atribuir a mesma posição a todas as igrejas evangélicas.

2. A Maçonaria pretende substituir a fé cristã?

Do ponto de vista de seus princípios gerais, a Maçonaria não se apresenta como uma igreja nem como uma religião substituta do cristianismo. Em muitas de suas tradições, exige-se a crença em um Princípio Criador, denominado simbolicamente Grande Arquiteto do Universo.

Entretanto, existe uma diferença importante entre reconhecer a crença em Deus e afirmar que todas as religiões possuem a mesma doutrina. A Maçonaria reúne homens de diferentes convicções religiosas, mas isso não significa que todas as religiões ensinem a mesma coisa.

Algumas denominações protestantes consideram essa abertura religiosa incompatível com sua interpretação da exclusividade de Cristo. A Convenção Batista do Sul dos Estados Unidos, por exemplo, aprovou em 1992 uma resolução que recomenda evitar organizações cujos ensinamentos ou compromissos contrariem a interpretação bíblica defendida pela denominação.

3. Existem protestantes que aceitam a Maçonaria?

Sim. As posições variam entre igrejas e tradições protestantes.

Um exemplo documentado é a Igreja Metodista da Grã-Bretanha, que publicou orientações sobre a Maçonaria em 1985 e 1996. Seus documentos discutem a relação entre a participação maçônica, a fé cristã e a responsabilidade de evitar que essa participação se transforme em motivo de divisão na comunidade religiosa.

Isso demonstra que não existe uma posição protestante universal sobre o assunto. 

Para conhecer a orientação aplicável a um fiel, é necessário consultar a denominação específica e, quando pertinente, sua igreja local.

4. A reflexão maçônica: fé, liberdade e tolerância

Um maçom pode respeitar profundamente a fé de um Irmão protestante, mesmo quando esse Irmão discorda da Maçonaria. Da mesma forma, o maçom não deve exigir que alguém abandone suas convicções religiosas para demonstrar respeito pela Ordem.

A liberdade de consciência perde seu significado quando se transforma em obrigação de pensar como os outros.

A verdadeira fraternidade não exige que todos professem a mesma fé, mas exige que saibamos conviver com as diferenças sem recorrer à intolerância, à ofensa ou à desqualificação moral.

Isso também impõe uma responsabilidade ao maçom: 

não ridicularizar as objeções religiosas, não interpretar toda crítica como perseguição e não confundir tolerância com a obrigação de concordar.


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