A ORDEM FRENTE À CORRUPÇÃO !

 

A ORDEM FRENTE À CORRUPÇÃO

A corrupção não começa necessariamente nos grandes escândalos, nos cofres públicos ou nos contratos milionários. 

Muitas vezes, começa silenciosamente, quando alguém decide negociar seus princípios em troca de uma vantagem; quando a consciência é colocada a serviço dos interesses pessoais; quando a omissão passa a ser confundida com prudência e a conveniência se sobrepõe à honestidade.

Diante dessa realidade, qual deve ser a postura da Maçonaria?

A Maçonaria, enquanto instituição iniciática, filosófica e comprometida com o aperfeiçoamento humano, não pode permanecer indiferente aos males que comprometem a dignidade da sociedade. Sua missão de construir homens melhores exige coerência entre aquilo que ensina dentro de seus Templos e aquilo que seus integrantes praticam na vida profana.

Não basta combater a corrupção nos discursos. É necessário combatê-la, primeiramente, dentro de nós mesmos.

O maçom trabalha simbolicamente na transformação da pedra bruta em pedra polida. Entretanto, de que adianta conhecer os símbolos, dominar os ensinamentos ritualísticos, ostentar aventais, títulos e graus, se não consegue lapidar suas próprias imperfeições morais?

Um avental não concede honestidade. 

Um título não certifica integridade. 

Um grau elevado não representa, automaticamente, uma consciência elevada.

A corrupção também pode encontrar abrigo onde menos se espera: na vaidade, no abuso de autoridade, no favorecimento de amigos, na utilização da fraternidade para proteger interesses particulares e na tolerância com comportamentos incompatíveis com os princípios da Ordem.

A verdadeira fraternidade não pode ser confundida com cumplicidade.

Ser irmão não significa proteger o erro de outro irmão. Significa ter coragem de adverti-lo, orientá-lo e, quando necessário, exigir que responda por seus atos.

A Maçonaria não deve transformar-se em instrumento de disputas partidárias, tampouco em espaço de proteção de interesses políticos ou econômicos. Sua contribuição social está na formação de cidadãos conscientes, livres, responsáveis e comprometidos com a verdade.

O combate à corrupção exige três atitudes fundamentais:

  1. Integridade: não praticar aquilo que condenamos nos outros.

  2. Coragem moral: não silenciar diante de irregularidades por conveniência ou amizade.

  3. Responsabilidade: compreender que a honestidade não é apenas uma qualidade individual, mas um compromisso com a coletividade.

O maçom precisa compreender que sua maior representação da Ordem não acontece quando está paramentado em Loja, mas quando ninguém está observando suas atitudes.

É no exercício da profissão, na administração dos recursos públicos ou privados, nas relações familiares, no convívio social e nas decisões cotidianas que seus princípios são verdadeiramente colocados à prova.

Uma pergunta para nossa consciência

Se defendemos a liberdade, a igualdade e a fraternidade, como podemos aceitar privilégios indevidos, favorecimentos, desonestidade e silêncio diante de práticas corruptas?

A resposta não está apenas nos livros, nos rituais ou nas instruções maçônicas. Está na consciência de cada um de nós.

Consideração final

A Ordem não precisa de homens que apenas saibam falar sobre virtudes. Precisa de homens que tenham coragem de praticá-las.

Não precisamos de maçons que utilizem a Maçonaria para conquistar poder, prestígio ou proteção. Precisamos de maçons que utilizem os ensinamentos recebidos para melhorar a sociedade da qual fazem parte.

A corrupção destrói instituições, mas a omissão destrói consciências.

Que cada maçom compreenda que combater a corrupção começa pelo compromisso inegociável com a própria retidão.

Afinal, não existe Templo verdadeiramente iluminado quando aqueles que o constroem permitem que a corrupção habite em seu interior.

A maior obra de um maçom não é construir um Templo de pedras, mas ajudar a construir uma sociedade na qual a honestidade não seja exceção, e sim princípio de vida.

Que a Luz que buscamos em Loja também ilumine nossas escolhas no mundo profano.

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