A relação entre a Maçonaria e a arte dos vitrais é profunda, unindo técnica artesanal, simbolismo esotérico e a própria história da arquitetura.
Como os maçons se veem como herdeiros dos construtores de catedrais medievais, o uso da luz filtrada pelo vidro colorido é uma extensão natural da sua filosofia.
Aqui está uma visão geral de como essa arte se manifesta:
1. A Luz como Conceito Central
Na Maçonaria, a busca pela Luz é a metáfora principal para o conhecimento e a verdade.
Os vitrais não são apenas decorativos; eles controlam como a luz "divina" ou "intelectual" entra no Templo, transformando o ambiente profano em um espaço sagrado e introspectivo.
2. Simbolismos Comuns em Vitrais Maçônicos
Ao observar vitrais em Grandes Lojas ou templos históricos, é comum encontrar elementos específicos:
O Esquadro e o Compasso: O símbolo universal da fraternidade, representando a retidão moral e a medida das ações.
O Olho Providente (Olho que Tudo Vê): Geralmente posicionado no topo, representando a vigilância do Grande Arquiteto do Universo.
As Colunas Boaz e Jachin: Frequentemente flanqueando o desenho central, simbolizando força e estabilidade.
Elementos Geométricos: Padrões que remetem à geometria sagrada, como o triângulo, o hexágono e o número 3.
A Escada de Jacó: Representando a ascensão do iniciado através de diferentes níveis de consciência.
3. O Estilo e a Época
Neogótico (Século XIX): Muitos templos maçônicos construídos durante o renascimento gótico utilizam vitrais clássicos, com cores ricas (azul cobalto e vermelho rubi) e figuras alegóricas.
Art Déco (Início do Século XX): Em templos mais modernos, os vitrais assumem formas mais estilizadas, lineares e simplificadas, focando na pureza da forma geométrica.
4. Exemplos Notáveis
Existem locais onde a integração entre a luz e o vidro é excepcional:
United Grand Lodge of England (Londres): Possui vitrais magníficos que narram a história da ordem e homenageiam membros caídos em guerras.
Philadelphia Masonic Temple (EUA): Considerado um dos interiores mais ornamentados do mundo, com vitrais que complementam os diversos estilos arquitetônicos das salas (Egípcia, Jônica, etc.).
Por que o vitral?
Diferente de uma pintura, o vitral muda conforme a posição do sol.
Para o maçom, isso pode simbolizar a natureza dinâmica da verdade e como a percepção humana se transforma ao longo do tempo e do aprendizado.
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