A QUEDA DO VELHO MUNDO

 


Duas colunas fraturadas seguram um arco que não pode mais ser mantido. Sobre ele, o escorpião do tempo, o crânio da morte e a ampulheta anunciam que o ciclo terminou. No centro, uma criatura híbrida leão alado com chifre de unicórnio rasga a estrutura que antes sustentava a ordem.

Não é destruição sem sentido.
É uma ruptura inicática.

Johfra Bosschart, na sua interpretação de Casamentos Químicos de Christian Rosenkreutz, não pinta fantasia.

Pinta alquimia.
As colunas representam o sistema antigo: dogmas, impérios, estruturas mentais.
Quando eles quebram, não cai só um prédio.
Cai uma era.

Pentagrama no peito não é adorno.
É o homem regenerado, o iniciado que passa pelo teste.

O leão simboliza a vontade, o fogo interior que consome a velha identidade.

As asas anunciam transformação.

Alquimia não destrói para arrasar.
Destrói para transmutar.
Casamentos químicos falam de morte e renascimento, de união de opostos, de um mundo que deve colapsar para que outro possa surgir.

Sob a superfície emerge um padrão perturbador:
cada queda é um portal.

Nada cai por acidente.
Tudo cai quando o ciclo se cumpre.

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