A mitologia mesopotâmica é um dos conjuntos religiosos mais antigos da humanidade, desenvolvida pelas civilizações da Suméria, Acádia, Babilônia e Assíria, na região entre os rios Tigre e Eufrates.
Esses povos explicavam a origem do mundo, os fenômenos da natureza e o destino humano por meio de narrativas míticas registradas em escrita cuneiforme, especialmente em tábuas de argila.
Originada entre os rios Tigre e Eufrates (atual Iraque), ela reflete a visão de um mundo imprevisível, onde os deuses personificavam as forças da natureza — às vezes benevolentes, frequentemente voláteis.
Aqui está um panorama essencial dessa tapeçaria mítica:
O Panteão Principal
A religião era politeísta e cada cidade-estado (como Ur, Babilônia ou Nínive) tinha seu deus padroeiro.
| Divindade | Domínio | Nota Curiosa |
| Anu | O Céu | O "Pai dos Deuses", figura de autoridade suprema, mas distante. |
| Enlil | Ar e Tempestades | Guardião das "Tabuletas do Destino". Foi quem enviou o Dilúvio. |
| Enki (Ea) | Água e Sabedoria | O criador da humanidade e mestre dos rituais mágicos. |
| Inanna (Ishtar) | Amor e Guerra | A deusa mais complexa; representa o desejo e a força destrutiva. |
| Marduk | Ordem e Destino | Tornou-se o deus principal da Babilônia após derrotar Tiamat. |
Mitos Fundamentais
Essas narrativas tentavam explicar a origem do universo e a condição humana.
1. Enuma Elish (O Mito da Criação)
Narra a batalha épica entre o jovem deus Marduk e a personificação do caos primordial, a deusa-dragão Tiamat. Ao vencê-la, Marduk divide seu corpo para criar o céu e a terra, estabelecendo a ordem no cosmos.
2. A Epopeia de Gilgamesh
Considerada a obra literária mais antiga do mundo. Acompanha a jornada de Gilgamesh, rei de Uruk, em busca da imortalidade. É nela que encontramos o relato do Dilúvio, que influenciou diversas culturas posteriores.
3. A Descida de Ishtar ao Submundo
Um mito fascinante sobre a morte e o renascimento, onde Ishtar viaja ao reino de sua irmã Ereshkigal. Para passar pelos sete portões, ela deve se despojar de suas joias e roupas, simbolizando a perda do ego e do poder perante a morte.
A Visão da Existência
Diferente dos egípcios, que viam o pós-morte com esperança, os mesopotâmicos tinham uma visão mais sombria:
O Destino: Acreditavam que os humanos foram criados apenas para servir aos deuses e aliviar seu trabalho.
O "Irkalla": O submundo era o "País sem Retorno", um lugar cinzento onde as almas se alimentavam de poeira e barro, independentemente de terem sido boas ou más em vida.
Zigurates: Essas pirâmides em degraus não eram túmulos, mas "escadas" para que os deuses descessem à Terra e fossem alimentados pelos sacerdotes.
Muitos dos temas que conhecemos hoje (como a criação do homem a partir do barro, o Jardim do Éden e a Arca de Noé) têm raízes diretas ou paralelos fascinantes nos textos sumérios e acádios.
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