Não eram monstros de feira nem simples desenhos marginais em manuscritos medievais. Cicópodes, também chamados monópodes, aparecem repetidamente em crônicas antigas como se alguém tivesse se encarregado de registar sua existência.
Seres pequenos, com uma única perna enorme que emergia do centro do corpo, capazes de se deitar no chão e se cobrir do sol usando o próprio pé como escudo.
Não era fantasia infantil.
Era um registro persistente.
O termo grego skíapodes significa pernas-sombra.
Não é coincidência.
Sob a superfície emerge um padrão perturbador: viajantes que nunca se conheceram descrevem criaturas semelhantes em territórios diferentes, desde a Etiópia até regiões da Ásia e da Europa.
As ilustrações não são idênticas, mas o conceito se repete com precisão suspeita.
Só um membro.
Um pé enorme.
Uma função específica.
As peças se encaixam quando você observa o contexto.
A Idade Média classificava raças “estranhas” como parte do mapa do mundo conhecido.
Alguns cronistas falavam de povos distantes com características não humanas, como se a diversidade biológica tivesse sido maior do que hoje aceitamos.
Depois, silêncio.
Arquivos fragmentados, histórias ridicularizadas, figuras transformadas em mitologia.
A questão não é se eles eram mutantes.
A questão é por que tantas culturas coincidiram
na mesma anatomia impossível?
Quando diferentes geografias repetem a mesma figura, deixa de parecer invenção isolada e começa a parecer memória distorcida.
Talvez não fossem homens deformados.
Talvez fossem outra linha apagada do relato oficial da humanidade.
Nem tudo que foi chamado de mito
nasceu da imaginação.
Às vezes nasceu
do que não deveria mais ser lembrado.
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