As palavras nunca são neutras, principalmente quando ditas por aqueles que representam as instituições.
Têm um fardo público, afetam a imaginação coletiva, orientam os julgamentos.
Para isso, eles merecem medida, precisão e sentido de responsabilidade.
Quando a expressão "maçons desviantes" é mencionada num debate político, toca-se um nó delicado na história italiana.
É bem sabido que no nosso país houve casos em que as estruturas ocultas traíram a legalidade e a transparência.
A comissão parlamentar de inquérito sobre o P2 documentou uma página escura que nada teve a ver com a tradição inicial regular.
Mas é exatamente por isso que precisamos de clareza: confundir desvio com pertencimento significa gerar ambiguidade.
Toda instituição autêntica – religiosa, civil, cultural – conhece a possibilidade de trair os seus próprios princípios.
Desvio não define a essência, mas a negação.
Quem age contra a lei não é um "cidadão desviado": é um criminoso.
Da mesma forma, aqueles que trabalham ilegalmente traindo os valores declarados não representam a tradição que formalmente se lembram.
A Muratoria Livre historicamente documentada contribuiu, em vários contextos, para a divulgação dos princípios constitucionais, para a proteção das liberdades civis, para a promoção dos direitos humanos.
Basta lembrar o papel desempenhado pelos homens que, pertencentes a lojas regulares, operaram em processos ressurgimentos, na formação de estados liberais, na defesa das instituições seculares.
Historiografia séria distingue entre maçonaria regular e organizações desviantes, bem como como distingue ideais e suas traições.
A questão não é reivindicar pertencimento, mas defender a pena conceitual.
Em uma democracia madura, as categorias não são usadas como rótulos controversos.
A análise deve separar as responsabilidades individuais das identidades coletivas.
É um princípio legal antes de ser cultural: a responsabilidade é pessoal.
E aqui está o nó decisivo.
Se estamos a falar de "maçons desviados", temos que reconhecer que o desvio, quando é real, quebra a própria adesão.
Quem trai os princípios fundadores de uma Instituição não o representa: negação.
Se um homem viola a lei do Estado, não é um "cidadão desviante", mas um criminoso que é pessoalmente responsável pelos seus próprios atos.
Da mesma forma, quem trabalha ilegalmente não é um “maçom desviado”: é um criminoso, um ladrão que traiu a lei e os princípios que afirma professar.
As palavras importam.
Porque a precisão protege a verdade, e a verdade por sua vez salvaguarda a justiça.
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