A parábola do copo e da água parece simples demais à primeira vista.
Justamente por isso ela passa despercebida por muita gente.
Um copo já cheio não recebe mais água.
Qualquer gota a mais transborda.
E a lição não fala sobre o copo.
Fala sobre nós.
O copo representa a mente.
A água representa conhecimento, aprendizado, crescimento, verdade.
Quando alguém acredita que já sabe o suficiente, que já entendeu tudo, que não precisa ouvir mais ninguém, esse copo está cheio.
Não cheio de sabedoria.
Cheio de certezas.
Humildade, aqui, não é se diminuir.
É esvaziar o copo.
É reconhecer que sempre há espaço para aprender, ajustar, desaprender e reconstruir.
Quem chega em qualquer situação acreditando que já sabe tudo não aprende nada novo.
Não porque o mundo não tenha o que ensinar, mas porque não há espaço para receber.
Essa parábola também explica por que algumas pessoas evoluem rápido enquanto outras ficam presas no mesmo lugar por anos.
Não é falta de oportunidade.
É excesso de ego.
É o medo de admitir que ainda não sabe.
É a necessidade de parecer forte o tempo todo, mesmo quando está perdido.
E aqui vem o ponto mais desconfortável: quanto mais experiência alguém tem, maior precisa ser o cuidado para não andar com o copo cheio demais.
Experiência sem humildade vira rigidez.
Conhecimento sem abertura vira prisão.
O crescimento exige uma disposição constante para esvaziar o copo e recomeçar.
A parábola do copo e da água não fala sobre ignorância. Fala sobre postura.
Sobre chegar com curiosidade em vez de defesa. Sobre ouvir antes de responder.
Sobre aprender antes de ensinar.
Sobre entender que ninguém cresce se não estiver disposto a admitir que ainda não chegou lá.
Talvez o maior sinal de maturidade seja justamente esse: perceber que quanto mais você aprende, mais percebe o quanto ainda tem a aprender.
E isso não enfraquece.
Isso fortalece.
Porque só quem esvazia o copo consegue enchê-lo de algo melhor.
Conecte essa ideia com alguém que anda tão cheio de certezas que não percebe o quanto está deixando de crescer.
Comentários
Postar um comentário