A Espada Flamejante como arma, ou objeto simbólico, traduz, embora muito de longe, um costume Templário no que tange à conferência de dignidade ao Candidato (isso não afirma nenhuma origem templária à Maçonaria).
Essa Espada não é unânime em toda a Maçonaria Universal, visto que ela se coaduna apenas com alguns ritos de origem francesa, e que desempenham na sua liturgia costumes hauridos da Ordem da Milícia do Templo.
É oportuno salientar que essas invocações alegóricas não podem ser confundidas com fatos oriundos da academia da história, senão símbolos e alegorias que compõem um arcabouço idealizado para doutrina.
Muito comum no simbolismo do Rito Escocês Antigo e Aceito, a Espada Flamejante tornou-se uma espécie de símbolo do poder e da justiça, cabendo o seu manuseio restrito àqueles que são ou já estiveram revestidos no cargo de Venerável Mestre de uma Loja.
Como aqui no Brasil “inventaram” a cerimônia de Instalação e o título honorifico de Mestre Instalado no REAA para o Venerável, prática também extensiva aos ex-Veneráveis (no GOB desde 1.968), o uso dessa Espada na liturgia maçônica para sagração ficou restrita aos detentores desse título honorífico (MM∴II∴).
Daí a obrigatoriedade de ser um Mestre Instalado para poder empunhar uma Espada Flamejante.
A Espada Flamejante como símbolo maçônico tem sido tomada de modo diferenciado no que condiz com a sua origem.
Sob a aparência de interpretação bíblica, diz-se baseada na expulsão de Adão do Paraíso (Gênese, 3 – 24):
- E expulsou-o; e colocou, ao oriente do Jardim do Éden, querubins armados de uma espada flamejante, para guardar a árvore da vida.
Já sob o ponto de vista de um símbolo do poder, essa Espada só pode ser empunhada por um Venerável Mestre que, por extensão, tem sido na Maçonaria brasileira um Mestre Instalado.
Dado a esse peculiar uso, a Espada Flamejante também adquiriu interpretação fundamentada na mitologia grega, já que pelas ondulações no formato da sua lâmina, ela lembra a representação de um raio, atributo do principal deus do Olimpo, Zeus (Júpiter para os romanos); assim a Espada Flamejante, que só pode ser empunhada pelo Venerável, ou um ex- Venerável, não pode ser embainhada (simbolicamente porque seria impossível se embainhar o fogo) e nem encostada no candidato durante a sagração, pois simbolicamente ela, pela representação do raio, poderia o fulminar.
Assim, graças a esse mito é que se adquiriu a cômica crendice e o pavor de alguns quando no trato com esta Espada – puro engodo, já que o raio jupteriano representado pela lâmina da espada se refere mesmo ao poder da majestade, nunca a uma fantasia truanesca (referência para esse estudo in Dicionário Etimológico Maçônico – José Castellani).
Ainda na relação bíblica dessa Espada e a Maçonaria temos também a influência da Igreja nas Corporações de Ofício medievais, ancestrais da Moderna Maçonaria.
Sob o aspecto da Espada e a sagração, essa prática nada tem a ver com o serviço divino religioso ou o de santificar alguém, ou alguma coisa. Em Maçonaria o ato de sagrar (consagrar) é o modo de investir numa dignidade por meio de uma cerimônia específica o Obreiro no Grau.
Ligada a isso é que existe a prática do Venerável em empunhar a Espada acima da cabeça do candidato e nela dar a bateria com o malhete – ato da sagração.
Em resumo o termo “sagrar” (verbo transitivo direto – tornar venerado ou consagrado), nesse particular, significa investir numa dignidade, nunca o ato de se santificar alguém ou alguma coisa como infelizmente alguns Irmãos ainda teimam em imaginar.
É desse modo que a Espada Flamejante passou a fazer parte do relicário simbólico de alguns ritos maçônicos, cuja particularidade representativa da faculdade do poder, do domínio, da força deu ao artefato o uso exclusivo pelo Venerável Mestre ou àqueles que já exerceram esse cargo – Mestres Instalados.
Algumas Obediências, como é o caso do GOB, tornaram obrigatória a inteira direção dos trabalhos de uma Sessão Magna que envolva a prática da sagração (conferir dignidade) apenas aos detentores do título honorífico de M∴ I∴.
Outras, entretanto, deixam apenas a obrigatoriedade para o ato de sagração propriamente dito no caso de ausência do dirigente titular da Loja.
Sob o ponto de vista emblemático da Espada Flamejante ela, por não poder ser embainhada (raio), e nem empunhada por outro que não seja um M∴I∴, fica descansada sobre uma almofada ou dentro de um escrínio (estojo), já que o seu condutor, o Porta-Espada, quando a conduz o faz tomando a almofada ou o escrínio às mãos, fato que não obriga necessariamente ser ele um M∴ I∴, pois ele não toca na Espada, senão no artefato que serve de descanso para a dita.
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